PALEOZÓICO DO LITORAL ALENTEJANO

No Litoral Sudoeste Alentejano-Costa Vicentina predominam rochas sedimentares que pertencem ao Carbónico da Zona Sul Portuguesa. As rochas sedimentares e vulcânicas mais antigas do litoral são do Devónico superior e afloram somente a norte de Vila Nova de Milfontes (Porto Covo na continuação da Serra do Cercal) e perto na Bordeira (a sul de Aljezur). O registo sedimentar do Carbónico (aproximadamente 360 a 300 milhões de anos) corresponde a sucessões monótonas de pelitos e grauvaques com algumas formações carbonatadas intercaladas. As rochas sedimentares detríticas do Carbónico terse- ão depositado em zonas de talude continental, correspondendo a sedimentos marinhos designados por turbiditos.

A monotonia das alternâncias de rochas finas – pelito – e rochas detríticas mais grosseiras – grauvaque – é a característica dominante neste conjunto, sendo, no entanto, notório que a espessura das camadas e a proporção quantidade de pelito / quantidade de grauvaque pode variar de afloramento para afloramento. Estas rochas sedimentares do Carbónico depositaram-se e foram deformadas durante o processo de colisão entre os supercontinentes Laurússia e Gondwana. Este movimento de placas tectónicas conduziu à edificação da cadeia orogénica Varisca e à formação do supercontinente Pangeia. A deformação de idade carbónica é evidenciada pelo desenvolvimento de dobras e de falhas, bem visíveis na maioria dos afloramentos da plataforma de abrasão e da arriba. Estes sedimentos sofreram muito pouco metamorfismo durante a orogénese, apresentando muito das suas características primárias preservadas.

Mais tarde no Mesozóico o supercontinente Pangeia iniciou a sua fragmentação e surgiram os primeiros impulsos magmáticos associados à abertura de bacias sedimentares intra-continentais e consequente abertura do Oceano Atlântico. A transição entre a deposição de arenitos e conglomerados em ambiente continental no Triásico, em bacias sedimentares intra-continentais, e a deposição de calcários marinhos em bacias sedimentares marinhas simultaneamente com o aparecimento de vulcanismo máfico no Jurássico assinala esta nova etapa evolutiva do supercontinente Pangeia. A discordância que assinala o contacto entre as rochas sedimentares do Carbónico e as rochas sedimentares do Triásico marca uma das etapas mais importantes da história da Terra. Outro aspecto importante a verificar no litoral sudoeste alentejano é que a sequência mesozóica também pode estar inclinada por efeito da deformação Alpina, que foi a responsável pela edificação da Serra da Arrábida e de outros relevos como a Serra de Grândola. Durante o Cenozóico assistiu-se à deposição de sequências fluvio-marinhas, sendo de se destacar ao longo deste sector do SW de Portugal a presença de depósitos fluviais (cascalheiras e areias) do Pliocénico-Pleistocénico da bacia de Alvalade, sobre os quais se depositaram sedimentos mais recentes do Quaternário como as areias de praia e as areias de duna (por vezes consolidadas). Nalguns sectores onde a dimensão dos cursos de água que cortam estas formações à superfície o permitem, também se encontra, depósitos aluvionares do Quaternário discordantes sobre as rochas sedimentares do Carbónico.

Nas praias actuais deste sector litoral a inclinação da face da praia é moderada, sendo visível em períodos de baixa-mar a presença de uma barra arenosa contigua ao limite inferior da face da praia estendendo-se em direcção ao mar. Estas praias podem passar de intermédias a dissipativas com a incidência prolongada da agitação de alta energia. As praias das Furnas e de Odeceixe apresentam uma morfologia do perfil e inclinação da face da praia com características intermédias a reflectivas.

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