Alcácer do Sal e o Alentejo Litoral durante o Período Islâmico (séculos VIII-XIII): Uma resenha Histórica

 António Rafael Carvalho

1. Introdução

Como já foi referido em duas monografias recentes dedicadas a Alcácer do Sal, (Carvalho, Faria & Ferreira, 2004 e 2008), são escassos os elementos documentais (arqueológicos e textuais) disponíveis para elaborar uma abordagem global à islamização do Ġarb al-Andalus, dada a conhecida heterogeneidade das fontes disponíveis, quase sempre excessivamente direcionadas para as regiões próximas do poder central. O presente ensaio procura traçar as linhas gerais da presença islâmica neste território aberto ao oceano, mas que se funde com o interior alentejano e algarvio.

2. Da fase de conquista até à instalação dos Banū Adānis/Dānis em al-Qaṣr (711/716 – 877/888)

Se algumas fontes cristãs, como a denominada “Crónica Anónima Mozarabe” de 754, falam claramente de uma invasão evocando como causa um castigo divino sobre a decadente monarquia visigoda, as fontes muçulmanas, por seu lado, enaltecem a inspiração e apoio de Allāh no decurso da conquista. Como podemos verificar, estas perspectivas de análise não traduzem as razões que efetivamente levaram um conjunto elevado de soldados berberes pouco islamizados e depois um outro contingente militar árabe em direção a uma terra estranha, separada por um braço de mar do resto do Dār al-Islām, escolhendo-a para sua nova casa.

Os primeiros cento e setenta e sete anos de presença muçulmana nesta região, grosso modo compreendidos entre os anos de 711/716 e 877/888, correspondem a uma fase crucial da afirmação de uma nova sociedade de tipo oriental, sobre uma outra de raiz cultural tardo-romana. A documentação arqueológica disponível alerta-
-nos para a persistência de povoamento consistente neste território no decurso da conquista omíada. É neste contexto bastante complexo em termos sociais, demográficos e de escassos contactos com o exterior que se dá, no decurso da primeira década do século VIII, a chegada dos primeiros contingentes militares islâmicos. A análise da documentação disponível em conjunto com os recentes avanços historiográficos no Islão Ocidental permitem do nosso ponto de vista definir “
5 fases” no processo de conquista e islamização do Baixo Sado, até à chegada dos Banū Dānis:

- A Primeira Fase (716-739/740) corresponde à presença de tropas muçulmanas neste espaço no decurso da campanha militar de ´Abdal-´Azīz. Admitimos que estas não se fixaram na região em grande número. A colonização muçulmana irá optar essencialmente por Alcácer e Palmela. Mais para sul até à costa vicentina, admitimos com base na documentação arqueológica exumada junto a Odemira, que essa região terá recebido alguns contingentes islâmicos. Posteriormente celebram-se “Tratados” e nomeia-se um Governador para Pax Iulia (Beja).

- A Segunda Fase (740-760)insere-se no âmbito da revolta berbere e instalação do jund de Miṣr em Pax Iulia (Beja) e Ossonoba (Faro).

- A Terceira Fase (760-780) decorre no seio da revolta dos árabes do Ġarb contra o Emir ´Abd al-Raḥmān I.

- A Quarta Fase (780-844) desenrola-se desde o reinado de ´Abd al-Raḥmān I até ao primeiro ataque viking ao al-Andalus.

- A Quinta Fase (844-877/888)corresponde a uma etapa pouco clara, que responde às pilhagens vikings no litoral e termina com a instalação dos Banū Dānis em al-Qaṣr/Alcácer [do Sal].

3. A instalação dos Banū Adānis/Dānis em Alcácer

Os Banū Adānis “entram na História” pela mão de Ibn Ḥazm. Segundo este autor do século X, `Awasja b. Dānis instala-se numa fortaleza a sul de Lisboa chamada al-Qaṣr. Segundo Ibn Ḥayyān 1, quando Mas ´ud b. Abī Dānis fica senhor autónomo em al Qaṣr, esta praça-forte recebe o seu nome (bi-l-qaṣri l-mansūb ilay-him)2. A sua presença em Alcácer é consequência da derrota que anteriormente tinha sofrido em Coimbra, quando esta tribo que até então tinha assumido a defesa da fronteira norte ao serviço do Emirato3, em finais do Século IX, é derrotada pelas tropas “rebeldes” de Sa ´dun al-Surunbāqi em 862/875-876. Obrigados pelas contingências da guerra a abandonar a cidade e região de Coimbra dirigem-se pouco depois para Lisboa. Por razões que as fontes não clarificam, decidem abandonar Lisboa e escolhem para sede do seu poder um castelo situado mais a sul al-Qaṣr, localizado nas margens do nahr Sh. tūb. r.

Este novo domínio possuía vantagens, dada a sua posição geográfica. Para além de ser mais fácil imporem-se como poder militar numa estrutura urbana mais pequena que Lisboa, tinham a vantagem de estar relativamente melhor situados em relação a Beja, na altura um importante centro consumidor de produtos exógenos, e também uma das sedes mais importantes a nível cultural e administrativo neste sector do Ġarb.

O controlo de um importante porto fluvial aberto ao Atlântico permitia um acesso privilegiado dos Banū Dānis a produtos culturais e exógenos do Dār al-Islām (Carvalho, 2006 e 2013). Por outro lado, esse comércio permitia-lhes a cobrança de impostos, igualmente útil para a manutenção de um corpo administrativo e militar que poderia servir para manter uma autonomia política e administrativa, perante outros poderes locais igualmente emergentes, como efetivamente aconteceu em Beja, Ossonoba ou Badajoz (Carvalho, 2013).

Ter-se-á assistido à transformação gradual de Alcácer, de um ribāṭ junto à linha de costa, para uma madīna marsā/ cidade portuária. A abundância de boas madeiras nas florestas da região será uma mais-valia que aliada à navegabilidade do estuário do Sado e sistema de ḥuṣūn e maḥāris, instalados na serra da Arrábida e costa Alentejana4, justifica o incremento de uma frota naval de características comerciais e também de defesa da costa contra os vikings. Esta situação talvez explique postura de Awsaga Ibn Adāis que se torna independente em relação ao Emirato, assumindo o governode um vasto território aberto ao oceano Atlântico, incluindo a Madīna Usbuna/Lisboa5.

4. A intervenção do Emir ´Abd al-Raḥmān III no Baixo Sado, antes de assumir o cargo de Califa no al-Andalus

Se no decurso do final do século IX o panorama geral no al-Andalus é caracterizado pelo eclodir e manutenção de vários poderes autónomos em relação a um débil “poder central” sediado em Córdoba, algumas décadas depois iremos assistir a um movimento de resposta desse mesmo poder, numa postura de reposição da legalidade política e religiosa, quando no início do século X, ´Abd al-Raḥmān III assume o cargo de emir do al-Andalus. Nos primeiros anos de governação, o seu esforço será empregue na recuperação por guerra ou por acordo, de todos os territórios rebeldes e autónomos localizados junto a Córdoba. Pouco depois irá estender as suas campanhas ao Ġarb Andalusī. Desconhecemos como se terá processado a recuperação de al-Qaṣr pelo referido emir. Sabemos unicamente que em 929 esse território já seguia as orientações emanadas desde Córdova. Nesse ano são confirmados pelo califa dois governadores: - Yaḥyā b. Abī Dānis para Alcácer e ´Abd Allāh b. ´Umar b. Abī Dānispara as regiões montanhosas do território alcacerense, que pensamos corresponderem às serras da Arrábida, Grândola e Cercal, que se estendem ao longo do sector oceânico da Kūra.

5. A ação de Ibn Abī Āmir na Kūra de al-Qaṣr

Se no início da atuação califal no Baixo Sado, as fontes confirmam a manutenção dos Banū Dānis à frente dos destinos da região administrativa de Alcácer, pouco antes do inicio da “ Fase Āmirí “, esta tribo desaparece das fontes documentais, revelando mudanças fortes, emanadas do poder califal. A própria postura de Ibn Abī Āmiral-Manṣūr em relação a Alcácer parece ser elucidativa de um maior controlo do poder califal nesta praça-forte do Baixo Sado, dado que este governante cordovês ao serviço do califado, vai transformar Alcácer na base naval muçulmana mais importante do Ġarb Atlântico. Contudo, as intervenções de Ibn Āmir nos assuntos da fronteira no Ġarb al-Andalus irão no decurso do século XI ter um impacto profundo em Alcácer do Sal. É efetivamente o que acontece na chefia militar da Marca Inferior, com sede em Badajoz, onde um cliente dos Banū Āmir se proclama independente no decurso da Fitna do século XI. Tal será possível, face ao vazio de poder então vigente após a morte por assassinato do último filho de Ibn Āmir, Sanchuelo.

Segundo Abd Allāh, soberano Zīrī da Taifa de Granada, serão os mercenários berberes, no decurso da sua atuação durante a “ fitna “, que irão contribuir de forma marcante para o aniquilamento definitivo do poder omíada no al-Andalus, abolido oficialmente em 1030. Algumas décadas antes dessa data, no comando militar da Marca inferior com sede em Badajoz, residia um chefe militar de nome Sābūr al-Saklabī, que teria sido um fatā de Fā´iq, um dos chefes ou escravos do Califa Al-Ḥakam.

6. Autonomia política de Al-Qaṣr no decurso dos primeiros reinos de taifas (século XI)

Alguns académicos atuais supõem com base em interpretações que fazem das fontes documentais disponíveis, que Sābūr no período da “Fitna”6 estendeu a sua autoridade como governante independente às cidades de Coimbra, Santarém, Lisboa, Sintra, Alcácer do Sal, Évora e Beja, impedindo que as elites locais pudessem emancipar-se7. A análise que fizemos da referida documentação não permite supor tal conclusão. Estamos convictos que na realidade, o campo de ação de Sābūr teria sido mais restrito.

Por outro lado, e segundo o referido Abdallāh, no seu livro de “Memórias” (referência citada por Kennedy 8):

- “Quando a dinastia amirita chegou ao fim e o povo ficou sem um imām, cada comandante militar pegou em armas na sua cidade e entrincheirou-se por detrás das muralhas da sua própria fortaleza e amontoou os seus próprios recursos. Estas pessoas competiam entre si pelo poder mundano, e cada uma procurava subjugar a outra.“

Ou seja, seguindo o raciocínio de Acién Almansa9, “…cada qa ´id (alcaide), proclamou-se independente nas suas fortalezas…”, expressão que nos transmite a noção de que, com a ausência do poder central Omíada, neste momento ausente do quadro governativo em Córdova, os governadores das várias Kuwar depararam-se com um dilema em termos de governação. Como bons muçulmanos e respeitadores da legalidade política e administrativa perante os seus conterrâneos, e na impossibilidade de manterem a anterior lealdade, só lhes restavam as seguintes opções:

  • Assumirem o poder da sua Kūra como soberanos autónomos, pedindo para que uma taifa mais importante lhes enviasse um governador;

  • Serem inseridas numa taifa que lhes desse garantias de defesa, face aos ataques de outras taifas menos amistosas e também que as protegesse contra os ataques cristãos.

É neste contexto que defendemos a autonomia de Alcácer do Sal, como “Reino Taifa“, na medida em que nesta altura, a cidade ter-se-á mantido como sede de Kūra, porto e base naval califal, tendo a seu cargo um conjunto de castelos e uma vasta área de fronteira marítima, aberta ao oceano pela foz do rio Sado. Ao contrário de outras Kuwarvizinhas, Alcácer era acima de tudo uma cidade aberta ao comércio oceânico e possuía competências militares e recursos que lhe poderiam manter a sua autonomia como uma espécie de cidade-estado“.

Na sequência da nossa exposição, a afirmação de Viguera Molins num trabalho recente referente ao Período Taifa, parece ter mais sentido. Segundo a autora, não nos podemos esquecer que as taifas que geralmente são estudadas, representam aquelas que tiveram uma evolução política mais notória no âmbito geral do al-Andalus, mas não podemos negar que outras mais breves e minúsculas existiram em determinados momentos do século XI10. Por outro lado, Kennedy, na sua obra sobre a História Política do al-Andalus 11, considera que existem lacunas surpreendentes na lista dos grupos que fundaram taifas, nomeadamente a ausência de taifas omíadas e da aparente omissão de taifas governadas por famílias de origem local/muwallad.

Face ao exposto, é provável que a Taifa Alcacerense se tenha mantido como realidade política autónoma, entre os anos de 1013/4 e 1033/4. Outra questão prende--se com o território provável desta taifa. Parece-nos coerente sugerir que poderia corresponder à área ocupada pela Kūra alcacerense em contexto ulterior califal, ou seja, incluindo a Serra da Arrábida a Norte, o Baixo Sado e parte da Costa Alentejana até à foz do rio Mira. Em jeito de conclusão, parece-nos claro que é necessário efetuar uma análise mais atenta das fontes documentais referentes a esta “Fase”, de forma a entendermos a conjuntura política que efetivamente existiu neste sector do Ġarbal-Andalus.

7. A madīna al-Qaṣrem contextos aftássida e almorávida

A inserção de Alcácer na Taifa Afṭássida ocorreu em data não assinalada nas fontes, pelo que sugerimos que tal poderá ter ocorrido, um pouco antes ou depois de 1033/34, provavelmente por vontade da elite da cidade, face ao clima de guerra existente entre as Taifas de Sevilha e Badajoz. Infelizmente não temos o registo do nome dos governadores nomeados para Alcácer, mas a cidade teria alguma importância no role das cidades da Taifa de Badajoz, dado que seria o porto principal de Évora, que era um importante polo cultural, lugar de governo dos legítimos candidatos à governação da Taifa Afṭássida.

Sendo igualmente a segunda madīna da referida taifa, tornou-se por volta de 1067 até 1072 autónoma, iniciando uma guerra com a sua rival de Badajoz.

Em finais do século XI, o estado de espírito muçulmano no al-Andalus estava num ponto demasiadamente critico e enfraquecido sem resposta coerente e forte em relação ao crescente avanço cristão. Os vários soberanos taifas solicitaram desesperadamente apoio ao aparelho militar almorávida, que nessa altura tinha unificado politicamente o Magreb ocidental. A própria sociedade andaluza via com bons olhos a presença almorávida no al-Andalus, preferindo ser-lhe leal em vez de continuarem a respeitar os seus soberanos taifas.

Este facto verificou-se em relação à Taifa Afṭássida. Após a cedência, pelo último soberano de Badajoz, al-Mutawakkil, de um vasto território a norte do rio Tejo, que incluía as importantes cidades de Lisboa e Santarém aos cristãos, de forma a ter apoio militar para fazer face a uma mais que provável anexação ao Império almorávida, os seus súbditos revoltaram-se e deram apoio à violenta resposta militar almorávida.

Tinha terminado deste modo em 1094, a Taifa Afṭássida como entidade política independente. Alcácer será pouco depois, debaixo da jurisdição almorávida, escolhida como sede de um Ṭagr denominado al-Qaṣr e que incluía o atual Alto Alentejo e a quase totalidade da Extremadura espanhola.

8. Alcácer do Sal no final do período islâmico. Das segundas taifas até ao final da presença almóada (1140-1217)

8.1 Consolidação de um espaço de fronteira terrestre, a norte de Alcácer

A conquista definitiva de Lisboa por D. Afonso Henriques, em 1147, e a recuperação de Alcácer por tropas muçulmanas em 1191, corresponderam a etapas importantes de uma conjuntura complexa de guerra em várias frentes, com diferentes actores, onde se assiste à consolidação de duas dinâmicas diferentes de apropriação do território.

Por um lado, a pressão crescente do Reino de Portugal em direção a Sul consolida uma realidade política viável, à custa de território islâmico que vai conquistando e absorvendo. No lado oposto, uma sociedade islamizada, de vários séculos, profundamente oriental, com a ajuda de fracas guarnições militares, tenta suster esse avanço com bastante dificuldade. De forma a colmatar um provável défice demográfico, as elites alcacerenses procuraram atrair novos contingentes militares e respectivas famílias, de forma a inverterem a situação.

Nesta fase, Alcácer que até então se tinha comportado como cidade portuária de fronteira marítima, confronta-se com a presença próxima de um espaço de fronteira terrestre. Toda a prática de defesa e ataque terão que se adaptar aos novos tempos. Não é por isso de estranhar os fortes investimentos efectuados pelo poder central muçulmano no reforço do recinto amuralhado da madīna alcacerense, ao longo do séculos XII e nos inícios do XIII. Por outro lado, assistimos à construção de um espaço de fronteira real e psicológica, entre dois poderes, duas religiões, duas cidades que são também importantes bases navais e polarizadoras de termos com importantes recursos, que conduzirão à consolidação de duas estratégias de fazer a guerra e de a sentir.

8.2 O Baixo Sado na segunda metade do século XII

À semelhança do panorama administrativo ulterior, o Baixo Sado continuava a estruturar-se à volta de Alcácer. Em meados do século XII, no decurso do desmoronamento do Império almorávida, assistimos de novo à fragmentação política e administrativa do al-Andalus, que será habilmente aproveitada por D. Afonso Henriques para expandir o Reino de Portugal para Sul, estabelecendo alianças com os poderes islâmicos locais, quase sempre em guerra entre si, no decurso deste processo.

É nesta fase de claro vazio de autoridade almorávida, que Santarém e Lisboa são conquistadas, em 1147, enquanto do lado islâmico, o governador almorávida instalado em Évora, Ibn Wazīr, seguidor de Ibn Qasī, se declara independente, e forma um reino taifa, anexando os territórios vizinhos de Beja e Badajoz. Segundo alguns autores muçulmanos, Ibn Wazīrseria aliado de D. Afonso Henriques. Deste modo compreende-se a razão da conquista portuguesa das cidades referidas e de castelos na Estremadura portuguesa e que aparentemente não esteja muito interessado em avançar para sul do Tejo, em direção a Alcácer.

Se existiu uma conquista de Palmela nesta fase, foi antes consequência do abandono desta praça forte pelos muçulmanos e não de uma vontade implícita desde o inicio. Assim se entende a “ quase “ imediata recuperação islâmica deste castelo. É provável que dada a sua posição estratégica, D. Afonso Henriques tenha a sul de Lisboa optado desde o inicio pela conquista do castelo de Almada, o que aconteceu após a queda de Lisboa. Em relação a Alcácer, a sua postura nesta fase ainda não se encontra bem clarificada pelas fontes. Será que fez parte inicialmente do reino taifa eborense?

Julgamos que sim se aceitarmos como verdadeiros os elementos contidos no relato da conquista de Lisboa, onde é referido que o único soberano reconhecido como tal a sul do Tejo, seria o já referido Ibn Wazīr. Este último ia sentindo graves problemas. O seu subordinado e aliado de Badajoz, Ibn al-Haggam, torna-se independente de Évora, dando origem a um conflito entre ambos. A sul de Évora, forma-se uma espécie de coligação de taifas contra Wazīr, aliadas entre si e sob influência de Ibn Qasī, nesta altura soberano de Silves. É provável que esta conjuntura de aberto conflito contra o soberano eborense contribua para a saída de Alcácer da subordinação de Wazīrí e se torne ela própria autónoma, como sede de reino taifa.

8.3 A Taifa Alcacerense na segunda metade do século XII

Segundo Khawli, em trabalho recente sobre o panorama político do Ġarb al-Andalus durante as II Taifas, parece claro que Alcácer do Sal tenha adquirido esse estatuto. Deste modo se compreende a postura política revelada pela elite alcacerense, quando esta envia um convite para que ´Ali b. Wahībī se torne soberano na cidade. Um dos trunfos deste militar de Tavira, talvez resida no seu estatuto de aliado de D. Afonso Henriques e no facto de possuir uma frota naval e recursos militares de grande necessidade para a defesa da cidade.

Segundo o referido autor, ´Ali b. Wahībī deixa Tavira e instala-se em Alcácer, provavelmente em 1158, data que as crónicas portuguesas indicam para a primeira conquista cristã da cidade. Esta afirmação permite supor que a Taifa de Alcácer seria entendida por D. Afonso Henriques como um género de “feudo vassalo”, comportando--se como continuação natural do Reino de Portugal, numa perspectiva de “Marca Fronteiriça”, aumentando deste modo a defesa da recém conquistada cidade de Lisboa.

Por outro lado teria a vantagem de não ser necessário despender recursos militares e tinha-se a certeza que os impostos acordados seriam recebidos pelos Portugueses. Será provavelmente a intimidade de certos interesses entre ´Ali b.Wahībī e D. Afonso Henriques que pode ter contribuído para o seu assassinato pela elite alcacerense em finais de 1159 ou inícios de 1160.

8.4 Da primeira conquista cristã de Alcácer, até à sua recuperação pelos muçulmanos (1160-1191)

Será porventura a situação atrás referida que irá motivar o rei português a empreender a sua conquista, com a ajuda de uma esquadra de cruzados que nesse ano de 1160 faz escala em Lisboa. Após a conquista da cidade, é provável que face aos escassos recursos humanos e económicos disponíveis, os cristãos se tenham deparado com um panorama pouco animador para o domínio efetivo do restante território administrado pela cidade.

Os esforços terão sido empregues no âmbito urbano, nomeadamente na alcáçova que será transformada em castelo cristão, na mesquita principal que será adaptada ao culto cristão e muito provavelmente numa significativa parte da malha urbana, de maneira a receber de forma adequada os novos povoadores.

Parte da comunidade muçulmana poderá ter ficado, prevendo-se um acentuado decréscimo numérico dada a nova conjuntura. Este esforço para manter Alcácer no espaço português poderá na nossa perspectiva ter retirado potencial de recursos militares que seriam necessários para uma conquista efetiva dos castelos da Arrábida, casos de Palmela, Coina e Sesimbra. Face a esta ausência de resposta cristã em relação à Arrábida e ao desaparecimento do Reino Taifa de Alcácer, as guarnições muçulmanas solicitam a sua inserção no seio do Califado Almóada.

Segundo as crónicas portuguesas, será em meados de 1165 que se dá a conquista portuguesa da Arrábida. Pouco depois, Évora será conquistada por Geraldo “ sem pavor”, recebendo foral régio em 1166. A conquista desta última cidade permitirá a consolidação de uma linha fronteiriça com Alcácer, a qual servirá de base para algumas campanhas de razia contra posições islâmicas vizinhas. Novamente Geraldo, com uma milícia cristã, toma a cidade de Beja de surpresa, em 1172. A cidade foi arrasada, pilhada e os seus habitantes fugiram para Mértola e Sevilha. Em 1174, foi celebrada uma trégua de 5 anos entre portugueses e almóadas, recebendo estes últimos a cidade de Beja, arruinada e abandonada. Pouco depois, o califa Abū Ya´qūb, em Sevilha, na presença de algumas famílias importantes de Beja, ordena a estas o repovoamento da cidade, prometendo que em breve enviaria uma guarnição almóada com as respectivas famílias.

A alcáçova será recuperada com a ajuda de 500 homens provenientes de Silves, chefiados por ´Umar b. Tīmṣalīt. Deste modo, em 1178, o reconduzido governador de Beja, o berbere ´Umar b. Tīmṣalīt e o governador de Serpa, ´Ali Ibn Wazīr, aproveitando a presença de tropas portuguesas com D. Sancho I na região de Sevilha, organizam uma expedição contra Alcácer, não a conseguindo recuperar. Serão surpreendidos, capturados e levados para Coimbra. Tīmṣalītserá executado, enquanto Ibn Wazīr será resgatado por 4 000 dinares, pagos pelo califa nesse mesmo ano.

Temendo represálias do exército cristão, Beja foi de novo abandonada e os seus habitantes refugiaram-se em Mértola. Em paralelo a esta tentativa, assiste-se durante o califado de Abū Ya´qūb Yûsuf, entre 1170-80, a um conjunto de expedições navais, quase todas contra Lisboa, segundo as fontes, nomeadamente em 1179, 1180 e 1184, não sendo de excluir alguns ataques a Alcácer. Em termos logísticos, a queda de al-Qaṣr em 1160, tinha retirado à armada almóada uma importante base naval no Atlântico, sendo esta obrigada a socorrer-se de ancoradouros secundários como poderá ser o caso de Sines, apoiado no interior do território pelo castelo de Santiago do Cacém.

Por outro lado, o apoio dado por Silves a esta armada poderá ter contribuído para a decisão de D. Sancho I de efetuar a sua conquista, com a ajuda de cruzados em 1189. A conquista será um rude golpe para a estratégia e aparelho militar almóadas. Por outro lado, a capacidade portuguesa em manter as novas aquisições territoriais, especialmente a isolada Silves, irá contribuir para um maior desgaste das forças cristãs, não sendo de estranhar a sua derrota após a enérgica resposta califal de 1191.

Nesse ano, no mês de Abril, um exército chefiado pelo califa Abū Yūsuf Ya´qūb al-Manṣūr parte de Sevilha e chega por via terrestre a Alcácer, em Junho. Ao contrário de certos autores, encaramos a conquista desta pelos muçulmanos de máxima importância, não só pelo número de recursos militares empregues, como também pelo interesse pessoal do califa em investir na cidade, no reforço da sua estrutura militar, na cedência de soldados e também no esforço de transformar de novo a cidade em almóada muçulmana, provavelmente equipando-a com recursos humanos aptos para novas funções.

Apesar do silêncio das fontes diretamente relacionadas com Alcácer, julgamos que o califa à semelhança do que aconteceu com Silves e com outras madīna-s igualmente conquistadas nesta campanha, tenha em Alcácer, de ora avante denominada de Qaṣr al-Fatḥ, fundado uma proto-madrasa (Carvalho & Wu, 2014, p. 20-41), sendo de equacionar a necessidade de ter criado um māristān/hospital, de apoio às guarnições aí instaladas. De forma a tornarem-se viáveis as novas funções, e evitar a fuga de recursos humanos preciosos, o califa ordenou que a cidade recebesse um reforço de bens que chegariam por via naval, provenientes das cidades portuárias e militares de Ceuta e Sevilha.

9. Presença almóada em Qaṣr al-Fatḥ

Após uma conquista que não se revelou fácil, o califa antes de abandonar a praça forte em direção a Palmela, nomeou para governante da fortaleza um Andalusī, Muḥammād b. Sīdrāy b. Wazīr, individualidade com forte presença familiar no Ġarb.

Após a campanha militar de al-Manṣūr, a fronteira cristã recua até Lisboa, permanecendo Almada momentaneamente em mãos almóadas. Segundo as crónicas, os castelos de Palmela, Almada e provavelmente Sesimbra e Coina-a-Velha serão destruídos. A celebração de uma trégua de 4 anos, entre o rei português e o califa almóada, permitirá a manutenção muçulmana dos castelos da Arrábida, fazendo uso de pequenas guarnições militares, associadas a outros elementos provavelmente voluntários.

Na realidade, se analisarmos os dados arqueológicos em confronto com as datas de Foral, verificamos uma sequência que permite suportar a hipótese dessa presença almóada em toda a Arrábida, desde 1191 até meados de 1195/6, verificando-se que, grosso modo essa trégua foi respeitada. O final da referida trégua servirá de pretexto para a conquista do castelo de Almada, que cai em mãos portuguesas, provavelmente em 1195/6. A posse deste castelo irá permitir a consolidação de uma importante base militar cristã de vigilância da Arrábida, contribuindo, ao longo de alguns anos, para a criação de recursos e forças militares para o ataque e conquista de Sesimbra, talvez por volta de 1198. Não temos dados concretos referentes à conquista definitiva de Palmela e achamos estranho essa omissão.

Se partirmos da hipótese do contributo da guarnição portuguesa instalada no castelo de Sesimbra antes de 1200 para a conquista de Palmela, e que o castelo já estaria na posse da Ordem de Santiago em 1210, data da concessão da exploração de ouro na Adiça/Sesimbra, estamos convictos que o domínio de Palmela terá ocorrido entre 1200 e 1205. De 1205 a 1217, vão doze anos de consolidação de uma fronteira bastante instável, que consome preciosos recursos de ambos os lados.

A concessão de Foral a Montemor-o-Novo em 1203 assinala em comparação à Arrábida, um avanço tímido, onde a preocupação principal parece ser o fortalecimento de uma fronteira a norte de Alcácer, retirando a esta o máximo de estruturas de defesa. A análise cartográfica permite sugerir que, após 1205, o sistema defensivo almóada ficará reduzido, a norte, a um conjunto de atalaias e torres. Por outro lado, a falta de resposta portuguesa parece indicar que seria arriscado tentar a sua conquista sem a presença de bons reforços militares. Esta oportunidade surge em 1217, quando uma frota de cruzados a caminho da Terra Santa faz escala em Lisboa.

Aliciados com a perspectiva de um rico saque, só uma parte dos cruzados adere à iniciativa, aliando-se ao exército português que seguiu por terra. O cerco inicia-se a 30 de Julho. A defesa foi dirigida por ´Abd Allāh Ibn Wazīr, que procurou o auxílio dos governadores de Badajoz, Sevilha e Jaén. Estes enviaram algumas tropas e uma pequena frota que bloqueou a foz do rio Sado. Após alguns meses de intenso cerco, Qaṣr al-Fatḥ seria conquistada definitivamente. Foi confirmada a sua posse na Ordem de Santiago, que imediatamente instalou na alcáçova muçulmana, a sede do ramo português da Ordem de Santiago. Uma nova etapa da vida da cidade tomava agora início, terminando deste modo, cinco séculos de domínio religioso, cultural e civilizacional islâmico.

1Ibn Ḥayyān, 1973, Muqtabis III, p. 369. Picard, 2000, p. 194.

2Ibn Ḥayyān, Muqtabis V, éd. p.105-106, trad. 90-91,69. Picard, 2000, ob. cit. p. 194.

3 Instalado em Córdoba

4 Casos dos castelos de Palmela, Sesimbra, Coina a Velha e talvez Santiago do Cacem (?).

5Khawli, 1992, ob. cit (prelo), citando uma referência inserida no Dikr, p. 129. Apesar de referir unicamente Lisboa, entendemos ser coerente que se trata da cidade e do território correspondente.

6 Esta palavra que os investigadores atuais aplicam como sinónimo de “Guerra militar entre Muçulmanos”, que é proibida em termos religiosos, é empregue na língua árabe como sinónimo de disputa entre muçulmanos. Noutros contextos, serve para designar uma “mulher muito bela”.

7 Picard, 2000,Le Portugal musulman (VIII –XIII siècle), p. 81.

8 H. Kennedy, 1999, Os muçulmanos na Península Ibérica. História Politica do al-Andalus, p. 157.

9 Acién Almansa, 1985, La fortificacion en al-Andalus. Archeologia Medievale, 22, p. 7-36.

10 Viguera Molins, 1994, História politica (Capitulo III, Fim de las Taifas). In História de España. Los Reinos de Taifas, 8 (1), p. 123.

11 Kennedy, ob cit, p. 166.

Bibliografia

A.A. V.V. (1998) - Portugal Islâmico. Os últimos sinais do Mediterrâneo. Lisboa: Instituto Português de Museus.

ARAUJO, J. N. G. (2013) - A cerâmica islâmica do castelo de Palmela: análise tipológica e crono-estratigráfica dos materiais da galeria 5. Dissertação de Mestrado apresentado à Universidade de Lisboa, Faculdade de letras, Departamento de História. (policopiado).

BARCELÓ & LABARTA (1987) - Dos inscripciones árabes halladas en Alcácer do Sal, Setúbal Arqueológica, 8, p. 239-243.

BARROCA, M. J. (2003) - História das Campanhas. In M. T. BARATA & N. S. TEIXEIRA (coord.), Nova História Militar de Portugal, 1. Rio de Mouro: Ed. Circulo dos leitores, p. 22-68.

BOISSELLIER, S. (1999) - Naissance d´une identité portugaise: la vie rurale entre Tage et Guadiana de l´Islam à reconquête (X-XIV siècle). Lisboa: Ed. Imprensa Nacional.

CARDOSO, J. L. & FERNANDES, I. C. (2012) - A Economia Alimentar dos Muçulmanos e dos Cristãos do Castelo de Palmela: Um contributo. Arqueologia Medieval, 12. Campo Arqueológico de Mértola e Edições Afrontamento, p. 211-233.

CARVALHO, A. R. (2005) - Fragmentos de miniaturas em cerâmica provenientes do palácio almóada de Alcácer. Al Madan, 13, S. 2, p. 148.

CARVALHO, A. R. (2006) - Cerâmica do Período Ziriada exumada no Castelo de Alcácer do Sal: Elementos para o seu estudo. Al Madan,14, S. 2, p. 152-153.

CARVALHO, A. R. (2007) - O Baixo Sado, da Antiguidade Tardia até à Fase Emiral: Algumas reflexões sobre continuidades e rupturas. Subsídios para o Estudo da História Local, 3. Ed. Câmara Municipal de Setúbal e Rede Portuguesa de Museus, p. 303-318.

CARVALHO, A. R. (2007) - Al Qaṣr: A Alcácer do Sal Islâmica. Roteiro – Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer do Sal. Lisboa: IGESPAR, p. 43-56.

CARVALHO, A. R. (2007) - Alcácer: Alcácer do Sal Medieval e Cristã. Roteiro – Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer do Sal. Lisboa: IGESPAR, p. 57-68.

CARVALHO, A. R. (2007) - A Torre Medieval de Santa Catarina de Sítimos: Elementos para o Estudo do Sistema Defensivo de Alcácer do Sal em Contexto Almóada, Al Madan (on-line), 15. http://www.almadan.publ.pt/

CARVALHO, A. R. (2008) - A Muṣalla do Ḥiṣn Ṭurruš/Torrão: Uma Leitura Arquitectónica. Elementos para a História do Município de Alcácer do Sal, 3, Coleção Digital. http://www.cm-alcacerdosal.pt/PT/Actualidade/Publicacoes/Paginas/EstudosdoGabinetedeArqueologia.aspx

CARVALHO, A. R. (2008) - A Muṣalla do Ḥiṣn Ṭurruš/Torrão: Uma Hipótese de Trabalho. Al Madan, 16, S. 2. Al-Madan online adenda electrónica.

CARVALHO, A. R.(2008) - Alcácer do Sal no Final do Período Islâmico: Séculos XII-XIII): Novos Elementos sobre a 1ª Conquista Portuguesa.Elementos para a História do Município de Alcácer do Sal, 1, Coleção Digital.

http://www.cm-alcacerdosal.pt/PT/Actualidade/Publicacoes/Paginas/EstudosdoGabinetede
Arqueologia.aspx

CARVALHO, A. R.(2009) -Torrão do Alentejo: Arqueologia, História e Património. Elementos para a História do Município de Alcácer do Sal, 4, 3 vol., Coleção Digital. Ed. Junta de freguesia do Torrão e Câmara Municipal de Alcácer do Sal.

http://www.cm-alcacerdosal.pt/PT/Actualidade/Publicacoes/Paginas/EstudosdoGabinetede
Arqueologia.aspx

CARVALHO, A. R. (2009) - O Final da Presença Islâmica na Região de Ourique (1160-1250): Introdução a uma questão em aberto. Cadernos Culturais d’Ourique, Orik Ano IV, p. 11-18.

CARVALHO, A. R. (2009) - A Antiguidade Tardia e a Islamização da Costa Sesimbrense. In M. CALADO et al.,O Tempo do Risco – Carta Arqueológica de Sesimbra. Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa/ Centro de Investigação e Estudo em Belas Artes/ Secção Francisco de Holanda e Câmara Municipal de Sesimbra, p. 172-191.

CARVALHO, A. R. (2010) - A Atividade Marítima de Qaṣr al-Fatḥ/Alcácer do Sal, no Alentejo Litoral (1191-1217): Pirataria ou Yhiad Marítima contra o Reino de Portugal? Atas do 2º Encontro de História do Alentejo Litoral. Edição Centro Cultural Emmerico Nunes Sines, p. 81-98.

CARVALHO, A. R. (2013) - De Qaṣr al-Fatḥ a Alcácer: De Ṭagr do Califado Muwaḥḥῑd debaixo da jurisdição/”iqṭā” Wazīrí (1191-1217), a “Marca Espatária” do Reino de Portugal (1217-1242). Atas do 3º Encontro de História do Alentejo Litoral. Edição Centro Cultural Emmérico Nunes e Câmara Municipal de Grândola, p. 51-79

CARVALHO, A. R. (2013) - O Æ Follis do Imperador Bizantino Romanos I Lekapenos encontrado em al-Qaṣr/Alcácer [do Sal]. Al Madan (online), 18, S. 2, T. 1, Julho de 2013, p. 110-116.

CARVALHO, A. R. (2013) - Uma reflexão sobre a Etimologia do Topónimo do Rio que passa em al-Qaṣr/Alcácer [do Sal]: De rio Çaadam/Sadão a rio Sado. Al Madan (online), 18, S. 2, T. 1, Ed. Centro de Arqueologia de Almada, p. 23-39.

CARVALHO, A. R. & FARIA, J. C. (1993) - Cerâmicas muçulmanas do Museu Municipal de Alcácer do Sal. Arqueologia Medieval, 3, Porto: Ed. Campo Arqueológico de Mértola e Edições Afrontamento, p. 101-111.

CARVALHO, A. R. & FARIA, J. C. (2001) - Fragmento de um tabuleiro de “Alquerque de Nove” proveniente do castelo de Alcácer do Sal. Arqueologia Medieval, 7. Porto: Campo Arqueológico de Mértola e Edições Afrontamento, p. 211-215.

CARVALHO, A. R.; FARIA, J. C. & FERREIRA, M. A. (2004) - Alcácer do Sal Islâmica: Arqueologia e História de uma Medina do Ġarb al-Andalus (séculos VIII-XIII). Ed. Câmara Municipal de Alcácer do Sal e IPM.

CARVALHO, A. R.; FARIA, J. C. & FERREIRA, M. A. (2008) - (Al Qaṣr) Alcácer do Sal Islâmica: Arqueologia e História de uma Medina do Ġarb al-Andalus (séculos VIII-XIII). Ed. Câmara Municipal de Alcácer do Sal.

CARVALHO, A. R. & FERNANDES, I. C. (1996) - Algumas Cerâmicas Muçulmanas da Lapa do Fumo (Sesimbra). Sesimbra Cultural, 5. Câmara municipal de Sesimbra, p. 21-23.

CARVALHO, A. R. & SOUSA, V. Rafael de (2003) - A presença tardo-romana e muçulmana na Praia dos Coelhos/Galápos (Setúbal): Noticia Preliminar. Al Madan, 12, S. 2, p. 187-188.

CARVALHO, A. R. & WU, Chia-Chin (2014) - A Proto-Madrasa al-Muwaḥḥῑd de Qaṣr al-Fatḥ/Alcácer [do Sal]: Definição e localização. Al Madan (online), 18, S. 2, T. 2, p. 20-41.

CORREIA, F. B. (2013) - Prevalência do Período Islâmico em Castelos Portugueses das Ordens Militares. Atas do Encontro Internacional sobre Castelos das Ordens Militares,1. Lisboa: Ed. Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), p. 99-117.

CUNHA, M. Raul de Sousa (1991) – A Ordem Militar de Santiago (Das origens a 1327). Dissertação de Mestrado apresentado à Universidade do Porto (Policopiado).

FERNANDES, I. C. (2001) - A península de Setúbal em Época Islâmica. Actas do Colóquio Lisboa, Encruzilhada de Muçulmanos, Judeus e Cristãos, Lisboa (Arqueologia Medieval, 7). Porto: Campo Arqueológico de Mértola e Edições Afrontamento, p. 185-209.

FERNANDES, I. C. (2004) - O Castelo de Palmela. Do Islâmico ao Cristão. Edições Colibri e Câmara Municipal de Palmela.

FERNANDES, I. C. (2005) - Palmela no Período da Reconquista.Seminário Muçulmanos e Cristãos entre o Tejo e o Douro (sécs. VIII a XIII). Palmela: GEsOS – Câmara Municipal de Palmela e Faculdade de Letras da Universidade do Porto, p. 311-325.

FERNANDES, I. C. (2005) - Aspectos da litoralidade do Gharb al-Andalus. Os portos do Baixo Tejo e do Baixo Sado. Colóquio Portos Medievais do Mediterrâneo (Arqueologia Medieval, 9). Porto: Campo Arqueológico de Mértola e Edições Afrontamento, p. 47-60.

FERNANDES, I. C. (2006) - Uma forja islâmica em Palmela. Seminário Internacional Al-Andalus Espaço de Mudança. Balanço de 25 anos de História e Arqueologia Medievais. Mértola: Campo Arqueológico de Mértola, p. 171-180.

FERNANDES, I. C. (2013) - Os Castelos das Ordens Militares em Portugal: Estado da Investigação. Atas do Encontro Internacional sobre Castelos das Ordens Militares,1. Lisboa: Ed. Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), p. 17-39.

FERNANDES, I. C. & CARVALHO, A. R. (1997) - Cerâmicas Muçulmanas do Castelo de Palmela. Actas do VI Congrès International sur la Céramique Médiévale en Méditerranée. Aix-en-Provence, p. 327-336.

FERNANDES, I. C. & CARVALHO, A. R. (1999) - Elementos Para o Estudo da Ruralidade Muçulmana na Região de Palmela. Atas do II Congresso de Arqueologia Peninsular. Zamora, p. 517-526.

FIERRO, M. (2010) - Atlas Ilustrado de la España Musulmana. Madrid, p. 13.

GARCIA, J. C. (1986) - O Espaço Medieval da Reconquista no Sudoeste da Península Ibérica. Ed. Instituto Nacional de Investigação Cientifica. Serie Histórica. Centro de Estudos Geográficos.

HENRIQUES, A. C. (2003) - Conquista do Algarve (1189-1249): O Segundo Reino. Batalhas de Portugal. Ed. Tribuna.

KHAWLI, A. (1992) - Los Berberes del Ocidente de al-Andalus. Actas das XII Jornadas del Património de la Sierra de Huelva(Policopiado).

KHAWLI, A. (1997) - La famille des Banu Wazir dans le Garb d´al-Andalus aux XII et XIII siècles.Arqueologia Medieval, 5. Porto: Campo Arqueológico de Mértola e Edições Afrontamento, p. 103-115.

KHAWLI, A. (2001) - Le Garb al-Andalus a l´époque des Secondes Taifas (539-552/1144-1157). Atas do Colóquio Lisboa, Encruzilhada de Muçulmanos, Judeus e Cristãos (Arqueologia Medieval, 7). Porto: Campo Arqueológico de Mértola e Edições Afrontamento, p. 23-35.

MACIAS, S. (2005) - Mértola. O último Porto do Mediterrâneo, 3 vols.. Ed. Campo Arqueológico de Mértola.

MARINHO, J. R. (1968) - Moedas muçulmanas de Beja e Silves (um achado muçulmano no concelho de Sesimbra). Câmara Municipal de Sesimbra.

MARQUES, M. A. (1996) - As etapas de crescimento do Reino. In A. H. de Oliveira MARQUES & J. SERRÃO (coord.), Nova História de Portugal, 3. Ed. Presença, p. 37-64.

MARTINEZ, S. G.; GRANGÉ, M. & LOPES, G. (2012) - A Cerâmica Islâmica no Alentejo. Arqueologia Medieval, 12. Campo Arqueológico de Mértola e Edições Afrontamento, p. 109-119.

MARTINS, M. G. (2011) - A conquista de Alcácer (1217). De Ourique a Aljubarrota: a guerra na Idade Média. Lisboa: Ed. Esfera dos Livros, p. 127-146.

MATTOSO, J. (1993) - Dois séculos de vicissitudes politicas. In J. MATTOSO (coord.), História de Portugal, 2, A Monarquia Feudal. Rio de Mouro: Circulo dos Leitores, p. 23-163.

MATTOSO, J. (1993) - D. Afonso Henriques. Rio de Mouro: Circulo dos Leitores.

OLIVEIRA, J. A. (2013) - O castelo de Sesimbra. De atalaia marítima a fortaleza abandonada. Atas do Encontro Internacional sobre Castelos das Ordens Militares, 1. Lisboa: Ed. Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), p. 269-286.

OLIVEIRA, L. F. (2013) - Dos Castelos às Ordens Militares: os espaços da vida religiosa e comunitária. Atas do Encontro Internacional sobre Castelos das Ordens Militares, 2. Lisboa: Ed. Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), p. 389-407.

PICARD, C. (1997) -L´océan Atlantique musulman de la conquête arabe a l´époque almohade. Navigation et mise en valeur des cotes d´ al-Andalus et du Maghreb occidental (Portugal, Espagne, Maroc). Paris: Ed. Maisonneuve et Larose.

PICARD, C. (2000) - Le Portugal Musulman (VIII-XIII siècle): L´Occident d´al-Andalus sous domination islamique. Paris: Ed. Maisonneuve et Larose.

PICARD, C. (2001) - Les ribats au Portugal à l´époque musulmane: sources et définitions. Actas do Simpósio Internacional sobre Castelos. Mil Anos de Fortificações na Península Ibérica e no Magreb (500-1500), Palmela. Lisboa: Edições Colibri/ Câmara Municipal de Palmela, p. 203-212.

PICARD, C. (2002) - L´évolution du rôle et de la place des husun dans le Gharb al-Andalus au regard de l´histoire: quelques hypothèses. L´espace rural au Moyen Age. Portugal, Espagne, France (XII-XIV siècle) Mélanges en l´honneur de Robert Durand. Presses Universitaires de Rennes, p. 31-40.

PICARD, C. (2005) - Les Marches du Gharb al-Andalus à l´Epoque Omeyyade d´après le Muqtabis d´Ibn Hayyan (IX-X siècle).In M. BARROCA & I. C. FERNANDES (coord.), Muçulmanos e Cristãos entre o Tejo e o Douro (Sécs. VIII e XIII). Palmela: Ed. Câmara Municipal de Palmela e Faculdade de Letras da Universidade do Porto, p. 71-76.

PICARD, C. (2005) - Le changement du paysage urbain dans le Gharb al-Andalus (X-XII siècle): les signes d´une dynamique.In M. BARROCA & I. C. FERNANDES (coord.), Muçulmanos e Cristãos entre o Tejo e o Douro (Sécs. VIII e XIII). Palmela: Ed. Câmara Municipal de Palmela e Faculdade de Letras da Universidade do Porto, p. 129-143.

PICARD, C. (2011) - Ribats et édifices religieux de l ‘Islam sur les côtes du Portugal a l‘ époque musulmane médiévale: Islamisation et jihad dans le Gharb al-Andalus. Cristãos e Muçulmanos na Idade Meia Peninsular. Encontros e Desencontros.Universidade Nova Lisboa, p. 121-136.

PICARD, C. & BORRUT, A. (2003) - Rabata, Ribat, Rabita: Une institution a reconsidéré. Atas de Chrétiens et musulmans en Méditerranée Médiévale (VIII–XIII Siècle) Echanges et contacts. Poitiers, p. 33-65.

PICARD, C. & FERNANDES, I. C. (1999) - La défense côtière à l' êpoque musulmane: l' exemple de la presqu' île de Setúbal. Archéologie Islamique, 8. Paris: CNRS- Maisonneuve & Larose, p. 67-94.

REI, A. (2004) - A fronteira no Sudoeste Peninsular (1234-1242). Novas visões da «Reconquista» a partir do al-Mughrib… de Ibn Sa‘îd de Granada.Arqueologia Medieval, 8. Porto: Campo Arqueológico de Mértola e Edições Afrontamento, p. 29-42.

REI, A. (2005) - O Gharb al- Andalus em dois geógrafos árabes do século VII/XIII: Yāqūt al-Hamāwī e Ibn Sa‘īd al-Maghribî. Medievalista, 1. Lisboa (Revista on-line, consultado em 18-02-2013)

http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA1/PDF/GHARB%20AL%20ANDALUS%20pdf.pdf

SOARES, J. (2000) -Arqueologia urbana de Setúbal: Problemas e contribuições. Atas do Encontro sobre Arqueologia da Arrábida (Trabalhos de Arqueologia, 14). Instituto Português de Arqueologia. Lisboa, p. 101-130.

SOARES, J. (2002) - MAEDS – Trabalhos arqueológicos, Novas estratigrafias para a História de Setúbal. Al Madan, 11. Centro de Arqueologia de Almada, p. 250-251.

TAVARES DA SILVA, C. & COELHO-SOARES, A. (1987) - Escavações arqueológicas no Creiro (Arrábida). Campanha de 1987. Setúbal Arqueológica, 7, p. 221-237.

TAVARES DA SILVA, C.; SOARES, J.; COELHO-SOARES, A.; DUARTE, S. & GODINHO, R. M. (2010) - Preexistências de Setúbal. Intervenção arqueológica na Rua Francisco Augusto Flamengo, n.º s. 10-12. MUSA, 3. Setúbal: Forum Intermuseus do Distrito de Setúbal (FIDS) e MAEDS, p. 165-178.

TORRES, C. (1992) - O Garb al-Andalus. In J. MATTOSO (coord.), História de Portugal, 1. Rio de Mouro: Circulo dos Leitores, p. 23-163.

VILAR, H. (2005) -D. Afonso II. Rio de Mouro: Circulo dos Leitores.

VIVAS, D. & OLIVEIRA-LEITÃO, A. (2009) - A Presença Islâmica no Alentejo Litoral. Uma abordagem à luz da toponímia.Atas do 1º Encontro de História do Alentejo Litoral. Sines: Centro Cultural Emmerico Nunes, p. 220-229.

 

Fig. 1 – Frente ribeirinha de Alcácer do Sal com o edifício da Câmara Municipal em primeiro plano, na base da colina do castelo. Foto Arquivo Câmara Municipal de Alcácer do Sal.

Fig. 2 – O califado Omíada de Damasco em 750. Al-Andalus (províncias e Regiões do Império). Adaptado de FIERRO, 2010, p. 13.

Fig. 3 – Panorama político do Emirato Omiada de Córdova em finais do século IX e inícios do século X. Adaptado de FIERRO, 2010, p. 22, para o al-Andalus; para oĠarb, seguimos CARVALHO et al., 2004.

Fig. 4 – Alcácer do Sal em contexto Almóada. Proposta de reconstituição, segundo CARVALHO e WU, 2014, p. 28.

Fig. 5 - Fragmentos de jarras esgrafitadas (contexto almóada). Foto Arquivo Câmara Municipal de Alcácer do Sal.

Adicionar novo comentário