Estação Romana do Cerrado do Castelo

Freguesia/Concelho:38º10’21.01”N; 8º 34’ 2.66”W (C.M.P. 1: 25000 folha 495)

Localização: Espaço envolvente da Escola E.B.1 de Grândola.

Cronologia: Séculos I e III/IV d. C.

Medidas de protecção: Classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 67/97, D. R. n.º 301, de 31 de Dezembro.

Estado de conservação:Razoável

 

Descrição: Referida desde o século XVI como o Castelo, e identificada por Leite de Vasconcelos, a estação romana do Cerrado do Castelo foi, possivelmente, uma villa, mutatio ou mansio (estalagem), sendo que esta última hipótese poderá sair fortalecida se tivermos em consideração a localização destas ruínas entre duas cidades romanas, Salacia (Alcácer do sal) e Miróbriga (Santiago do Cacém). Teríamos, deste modo, um edifício à beira da estrada onde os viajantes poderiam encontrar alojamento, tomar as refeições e proceder à muda dos animais.

Devido à construção de estradas e edifícios no local, em especial na década de quarenta do século XX, uma grande parte dos seus vestígios foi destruída ou soterrada. A partir de escavações realizadas em 1989 e 1990, foi possível identificar dois núcleos distintos, compostos por conjunto de estruturas, designadamente balneários, a que deviam corresponder um tanque ou piscina, dois compartimentos delimitados por muros em xisto e quatro pequenos tanques.

A um nível inferior do pavimento da piscina, foram descobertos dois fornos de produção de imbrices (telhas), formados por uma câmara de planta circular, constituída por lateres (tijolos), alguns do tipo tubular, ligados com argamassa, sendo a base constituída apenas por terra argilosa, lateres fragmentados e pedras; a sua construção deverá ter-se verificado numa época de abandono do núcleo residencial. A cobertura destes fornos era abobadada e formada por uma fina camada de argamassa, a qual assentava igualmente numa espessa camada de argila.

 

Espólio: Nesta estação foram encontradas imbrices (telhas), fragmentos de variadas peças de cerâmica, peças de vidro e moedas.

De destacar que na sua proximidade, no Cerrado do Arraial, foi descoberta uma sepultura, formada por lateres, de onde foi exumado um colar de ouro com contas em berilo verde e um anel de sinete.

A maior parte do espólio desta estação encontra-se no Museu Nacional de Arqueologia. O Município de Grândola tem em depósito algum do material ali exumado.

 

Síntese de intervenções: Estudada sumariamente por Leite de Vasconcelos no início do século XX, esta estação foi, em parte, objecto de duas campanhas de escavações nos anos de 1989 e 1990, realizadas pelos arqueólogos Marisol Ferreira e João Faria. Na sequência desta intervenção, o Município de Grândola procedeu à vedação e sinalização do local.

 

Bibliografia

FERREIRA, M. A.; FARIA, J. C. L. & DIOGO, A. M. D. (1991) - Ânforas romanas do Cerrado do Castelo, Grândola.Conímbriga, 30, p. 105-108.

FERREIRA, M. A.; FARIA, J. C. L. & DIOGO, A. M. D., (2000) - Ânforas de Villae do Noroeste Alentejano: Cerrado do Castelo (Grândola) e Santa Catarina de Sitimos (Alcácer do Sal»). Vipasca, 9. Aljustrel, p. 53-58.

FERREIRA, M. A. & FARIA, J. C. L. (1991) - Estação romana do Cerrado do Castelo (Escola Primária de Grândola). Conímbriga, 30, p. 95-104.

MATEUS, M. (s.d) - Grândola Antiga, Album Alentejano.

VASCONCELOS, J. Leite de (1914) - Excursão Archeológica à Extremadura Transtagana. O Archeologo Português, 19. Lisboa.

 Marisol Ferreira

 

 

Fig. 1 – Estação Romana do Cerrado do Castelo (Grândola). Aspecto de forno de cozer cerâmica (telhas).

 

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