1. Restinga de Tróia – Praia do Bico das Lulas

1. Restinga de Tróia – Praia do Bico das Lulas (N 370 29’ 23.4’’- W 80 54’ 22.3’’)

No extremo setentrional da Restinga de Tróia pode ser visitada a Praia do Bico das Lulas que está integrada no empreendimento turístico existente neste local. Na Praia do Bico das Lulas (coordenadas N 370 29’ 23.4’’- W 80 54’ 22.3’’) observa-se para norte no horizonte a Serra da Arrábida (Figura 2). Este relevo acentuado que atinge a cota máxima de 501 m (Serra do Formosinho) e se prolonga para oeste até ao Cabo Espichel, constitui uma barreira física natural à incidência da ondulação vinda de Noroeste, protegendo as praias da Península de Tróia. A geologia da Serra da Arrábida é essencialmente constituída por uma sequência de rochas detríticas e carbonatadas do Mesozóico, mas também inclui rochas essencialmente detríticas do Cenozóico. Esta sequência de rochas sedimentares, originalmente depositada em estratos horizontais, foi posteriormente afectada por deformação. A deformação é traduzida pelo dobramento dos estratos e o desenvolvimento de falhas. A deformação das rochas mesozóicas e cenozóicas ocorreu durante o processo de colisão entre a Europa e África, no que se designa por Orogenia Alpina. Caminhando ao longo do passadiço de madeira que dá acesso à Praia do Bico das Lulas é possível ver a evolução do campo dunar em direcção ao oceano através da formação de cordões dunares incipientes, paralelos à direcção predominante da praia emersa (Figura 2).

Figura 2- Vista panorâmica da praia do Bico das Lulas (Tróia). Note-se o alinhamento dos cordões dunares paralelos à praia emersa e com vegetação, o Banco do Cambalhão que sobressai no azul da água do oceano e a Serra da Arrábida que define o relevo acentuado no horizonte.

A praia emersa é caracterizada por uma berma extensa e por uma face da praia com inclinações quase constantes (50) (Figura 3). Em períodos de baixa-mar, e em particular em períodos de “marés-vivas”, é bem visível a parte inicial da praia imersa que se estende, em direcção ao oceano, pelo Banco do Cambalhão (Figura 4). O Banco do Cambalhão é um depósito arenoso, adjacente à foz do Rio Sado que se deposita sobre o delta de vazante submarino deste rio, estendendo-se por uma extensa área submersa. A sua morfologia é variável uma vez que depende do regime de correntes existentes na foz do Rio Sado e condiciona as condições do canal de navegação nesta área. A presença do Banco da Cambalhão diminui a energia das ondas que atingem as praias da Península de Tróia, uma vez que a altura das ondas diminui à medida que as mesmas progridem sobre este banco arenoso. A elevada extensão da berma da Praia do Bico das Lulas e do campo dunar adjacente, denotam o aumento da retenção de sedimentos neste sector costeiro nos últimos anos. Estes mesmos sedimentos são provenientes do transporte sedimentar ao longo da linha de costa com direcção de transporte de sul para norte, com maior intensidade durante os temporais provenientes de SW. O Banco do Cambalhão contribui para este balanço sedimentar positivo, através da troca de sedimentos com a praia emersa (mecanismo de transporte sedimentar perpendicular à linha de costa). Na Praia do Bico das Lulas as areias são médias a finas (Figura 5) e maioritariamente constituídas por grãos de quartzo, mica branca (moscovite) e fragmentos de conchas.

Figura 3- Vista aérea do extremo N da Península de Tróia. Note-se a extensão da praia emersa (Praia do Bico das Lulas) e os sedimentos que constituem o depósito arenoso no oceano e adjacente à foz do Rio Sado, designado por Banco do Cambalhão (Imagem do Google Earth).

Figura 4- Vista panorâmica para S da Praia do Bico das Lulas (Tróia), onde se observa o limite entre a berma e a duna incipiente.

Figura 5- Pormenor da areia fina da Praia do Bico das Lulas (Tróia).

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