Resumo dos aspectos a observar

O encaixante a norte do MIS:

  • Sequência estratigráfica das rochas carbonatadas do Jurássico;
  • Corneanas cálcicas (mármore);
  • Erosão diferencial;
  • Deformação (encurtamento) associada à instalação do MIS;
  • Filões associados ao MIS intrusivos na sequência sedimentar;
  • Verticalização dos planos de estratificação do encaixante com a aproximação ao bordo do MIS.

Maciço Ígneo de Sines:

  • Rochas granulares: Gabros;
  • Bandado magmático (sub-vertical), com alternância de bandas claras e escuras;
  • Filões de composição variada intrusivos nos gabros;
  • Filão de textura porfirítica;
  • Sienitos;
  • Filão intrusivo em sienito;
  • Brechas eruptivas;
  • Disjunção esferoidal – em “bolas” – num filão de composição básica, ou seja, de cor escura;
  • Rocha granular média a grosseira com cristais de biotite abundantes.

O encaixante a sul:

  • Corneanas pelíticas.

Os locais a observar permitem estabelecer um percurso de norte para sul, junto ao litoral, onde a exposição e grau de preservação das rochas são favorecidos. Deste modo, é possível observar o encaixante e as interações entre o MIS e o encaixante a norte; o maciço propriamente dito com a toda a sua variabilidade associada que se estende até ao centro da cidade de Sines e finalmente, a sul, o encaixante modificado pela intrusão do MIS. Desde a Praia da Lagoa até ao ponto 15 as rochas afloram em contínuo.

Os seguintes pontos de observação foram individualizados:

1. Encaixante a norte (N 37º 58’ 8.2’’- W 8º 52’ 17.5’’).

Sequência das rochas sedimentares, de idade jurássica, aflorante a norte do MIS. Corresponde a uma sequência (A) de rochas de composição carbonatada (calcários s.l.) mais ou menos margosa em que alternam níveis de cor branca a mais amarelada e níveis de cor preta. Esta sequência inclina ligeiramente para norte. Sobre esta sequência sedimentar, em que as rochas mais antigas se encontram na base, assentam os depósitos arenosos (de cor castanha alaranjada) mais recentes (idade holocénica) formando uma sequência de níveis sub-horizontais (B).

 

2. Dobra. (N 37º 58’ 8.2’’ - W 8º 52’ 17.5’’) - 2 metros para norte da observação anterior.

Nas rochas sedimentares a norte do MIS, o encurtamento provocado pela instalação do maciço encontra-se materializado por uma dobra. A ascensão de magmas por constraste de densidade origina um problema de espaço que, frequentemente, é resolvido através da deformação, por dobramento, das rochas encaixantes. A mesma sequência observada em #1 está agora dobrada.

3. Erosão diferencial (N 37º 58’ 11.7’’ - W 8º 52’ 14.9’’).

Filão de cor escura de composição basáltica e textura porfíritica que se encontra recuado em relação às rochas sedimentares contíguas (encaixante). Devido à sua natureza, estrutura e composição as rochas que constituem o filão alteramse mais falcilmente provocando um vazio no espaço correspondente ao filão.

 

4. Dobra e falha. (N 37º 58’ 12.3’’ - W 8º 52’ 14’’).

A sequência de rochas carbonatadas do Jurássico encontra-se dobrada e com uma ruptura do flanco sul, formando uma falha. Esta deformação está associada com a intrusão do MIS.

 

5. Sequência de eventos interpretada a partir das relações de corte (N 37º 58’ 6.5’’ - W 8º 52’ 18.9’’).

Afloramento em que se observa a sequência temporal pela qual ocorrem os vários tipos de rocha.

  1. Sequência de rochas sedimentares do Jurássico com inclinação para norte como resultado da instalação dos gabros do MIS.
  2. A sequência sedimentar é cortada pela instalação de um filão (Cretácico superior) associado ao MIS.
  3. As relações geométricas são obliteradas, à superfície, pela erosão e posterior deposição de sedimentos mais recentes (Holocénico) que se encontram na horizontal.

 

6. Metamorfismo de contato – Corneanas cálcicas (N 37º 58’ 6.4’’ - W 8º 52’ 22.1’’).

Os calcários que se encontram na zona de contato com a intrusão do MIS sofrem um forte aumento de temperatura –metamorfismo de contato que provoca um aumento na granularidade do calcário encaixante. Formam-se, assim, as corneanas - rochas de cor cinza a negra e textura granular de aspeto sacaróide semelhante ao mármore. Estas corneanas cálcicas apresentam uma estrutura bandada fortemente inclinada e uma direção próxima de E-W. A maior inclinação destas camadas está relacionada com a maior proximidade ao gabro do MIS. A instalação do MIS provoca uma forte inclinação das camadas na zona de contato que se atenua nos níveis que se observam mais a norte.

7. Contato entre o MIS e as rochas sedimentares encaixantes (N 37º 58’ 5.8’’ - W 8º 52’ 27.2’’).

Zona de contato entre o gabro do MIS a sul e os calcários a norte. Os gabros de cor escura mostram um aspeto isótropo (sem orientação preferencial) que contrasta com a forte estratificação bem marcada nos calcários.

8. Filões em gabros (N 37º 58’ 5.1’’ - W 8º 52’ 39.0’’).

Os filões muito frequentes no bordo do MIS surgem, neste caso, a cortar o gabro. Os gabros apresentam uma cor escura e uma granularidade média a grosseira, sugerindo que o arrefecimento foi lento e em profundidade. Os filões (com uma composição semelhante a um traquito), posteriores ao gabro, apresentam uma cor clara e grão fino e terão cristalizado mais rapidamente e a menor profundidade. Por vezes, observam-se filões de cor escura (de composição basáltica), os quais são anteriores aos filões de cor clara uma vez que os segundos cortam os primeiros.

 

Refira-se ainda que os filões de cor clara são particularmente bem visíveis através de imagens obtidas a partir da aplicação GoogleEarth.

9. Bandado magmático subvertical (N 37º 58’ 5.1’’ - W 8º 52’ 39.0’’).

Nos gabros observa-se um bandado subvertical (alternância de níveis claros e escuros) interpretado, frequentemente, como o resultado de uma cristalização alternada de bandas de minerais escuros (ricos em Fe e Mg) e de minerais claros (ricos em Ca, Na e Al). A sua direção é sub-paralela ao bordo norte do MIS, pelo que a formação deste bandado deve estar associado à instalação e interacção do MIS com a sequência sedimentar encaixante. Refira-se ainda que a presença do bandado magmático é realçado pela alteração dos gabros à superfície.

 

10. Filão com encraves (N 37º 58’ 5.0’’ - W 8º 52’ 39.1’’).

No gabro verifica-se a intrusão de um filão que encorpora fragmentos arredendados de um material semelhante ao gabro. O material envolvente (matriz do filão) tem uma cor acizentada e composição semelhante a um sienito.

 

11. Margem de arrefecimento (N 37º 58’ 0.5’’ - W 8º 52’ 40.2’’).

Os bordos do filão, com uma orientação N-S, mostram uma cor mais clara nas zonas de contato com o encaixante. Estas zonas de contato possuem uma granularidade inferior comparativamente à zona central do filão e são por isso propícias a uma maior circulação de águas meteóricas e, consequentemente, ao desenvolvimento de um maior grau de alteração.

 

12. Textura porfirítica (N 37º 58’ 3.6’’ - W 8º 52’ 41.5’’).

Um filão com cor beje-acizentado mostra uma textura porfirítica: Os fenocristais de feldspato destacam-se em dimensão e relevo da matriz de composição traquitica a riolítica. Os fenocristais são, relativamente à matriz, mais resistentes aos processos erosivos ficando por isso salientes.

13. Bandado magmático subvertical (N 37º 58’ 3.6’’ - W 8º 52’ 41.5’’).

Ao contrário da situação anterior, o bandado observado no interior do maciço apresenta uma direcção N-S, o qual pode resultar da dinâmica e dos gradientes térmicos complexos que vigoram no interior da câmara magmática.

14. Sienito (N 37º 57’ 58.9’’ - W 8º 52’ 44.9’’).

Esta variedade de rocha ocorre numa posição interna relativamente aos gabros. Apresenta uma cor clara de tom cinza a rosado e amarelado quando se encontra mais alterado. Apresenta muitos fenocristais de feldspato.

 

15. Filão de cor esbranquiçada (N 37º 57’ 5.2’’ - W 8º 52’ 31.1’’).

Os filões de cor esbranquiçada (riólitos) cortam o sienito. Podem apresentar uma direção geral N-S ou E-W. Ao contrário do que se verifica na unidade dos gabros, no sienito não se observam filões de cor escura.

 

16. Brecha eruptiva (N 37º 57’ 52.0’’ - W 8º 52’ 56.4’’).

Rocha de aspeto muito heterogéneo com fragmentos irregulares e angulosos, de diferentes tipos de rocha (claras e escuras e de diferentes granularidades) e envolvidos por um “cimento” de cor cinzenta - sienito. O significado destas rochas está relacionado com a ascenção de um magma que, aquando da sua passagem, vai arrancado o material já cristalizado à sua volta. O material apresenta uma forte alteração.

 

17. Brechas eruptivas e filões (N 37º 57’ 50.1’’ - W 8º 52’ 57.4’’).

Na base da falésia, verifica-se a existência de uma soleira (estrutura ígnea subhorizontal a pouco inclinada), de fragmentos grosseiros (centimétricos a decimétricos) sobre um nível (soleira?) de uma brecha com fragmentos mais finos (centimétricos). Na mesma área observa-se também um filão de cor clara e filões de cor escura.

18. Disjunção esferoidal (N 37º 57’ 50.1’’ - W 8º 52’ 57.4’’).

Os filões de composição mais básica mostram frequentemente uma disjunção esferoidal (por vezes designada “em casca de cebola”). O filão encontra-se muito fraturado e a circulação de água na rede de fraturas favorece este processo erosivo.

 

19. Topónimo - Pedras Amarelas (N 37º 57’ 42.6.’’ - W 8º 53’ 4.4’’).

O nome dos locais nas cartas/mapas- topónimos - é baseado, por vezes, em aspetos geológicos. Neste caso, “Pedras Amarelas” refere-se, provavelmente à cor dos filões sieníticos – de cor amarelada que ocorrem no interior das brechas eruptivas e dos gabros, de cor mais escura.

20. Rocha granular com cristais de biotite (N 37º 57’ 5.4.’’ - W 8º 51’ 50.6’’).

No bordo sul da praia de Sines (praia de Vasco da Gama) sobressai um relevo com cerca de 15 metros da altura que corresponde a um afloramento de uma rocha de cor clara e granularidade média a grosseira. Destacam-se cristais de biotite (mineral de cor negra).

21. Encaixante a sul (N 37º 56’ 39.4’’ - W 8º 51’ 23.2’’).

Entre as pedras soltas usadas no molhe da Ponta da Silveira destaca-se, em afloramento, uma sequência fortemente bandada (estrutura muito marcada pela alternância de níveis finos claros e escuros), com uma direção próxima de N-S e a inclinar para leste. Estas rochas - corneanas pelíticas - representam o encaixante a sul do MIS que se encontra metamorfizado por aumento de temperatura - metamorfismo de contato. Ao contrário do que se observa a norte, as rochas encaixantes a sul são muito mais antigas (Carbonífero; entre 299 e 360Ma) e correspondem a uma sequência de xistos e grauvaques. Este conjunto/sequência de rochas tem o nome de Formação de Mira.

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