Vale a pena saber para melhor compreender... o Maciço Ígneo de Sines

As erupções vulcânicas constituem um dos fenómenos naturais mais espetaculares do nosso planeta. Resultam da ascensão de magma (mistura de rocha fundida, material sólido e gases, com propriedades de um líquido) e da emissão de lava (em tudo semelhante ao magma, mas empobrecido na sua componente volátil) para a superfície, normalmente, através da cratera de um vulcão. Os magmas tendem a ascender dos locais onde são formados em direção à superfície da Terra porque, no decurso dos processos de fusão, as rochas expandem, ficando o magma resultante com uma menor densidade. Quando a lava arrefece em contacto com a atmosfera ou com a água do mar formam-se rochas designadas como ígneas (do latim ignis, “fogo”) ou magmáticas, de origem vulcânica (ou extrusivas).

Importa destacar, contudo, que o magma nem sempre tem capacidade para alcançar a superfície e provocar erupções vulcânicas. A ocorrência de sequências de rochas de menor densidade no seu trajeto e/ou a elevada taxa de arrefecimento do magma pode conduzir a que este seja armazenado em profundidade, num reservatório designado, normalmente, por câmara magmática. Tal como referido para a lava, o processo de arrefecimento e cristalização de um magma conduz também à formação de rochas ígneas ou magmáticas, neste caso, designadas por plutónicas (ou intrusivas). O termo “rocha” resulta do facto de se tratar de uma associação de vários minerais com diferentes pontos de fusão, os quais surgem de forma sequencial em função do decréscimo da temperatura do magma. A ascensão de magmas nos níveis mais superficiais da crosta terreste ocorre ao longo de fracturas pré-existentes. O magma pode cristalizar no interior desses canais, dando origem a corpos tabulares genericamente designados por filões. Do ponto de vista geométrico, os filões podem ser subdivididos em diques (filões subverticais) e em soleiras (filões sub-horizontais). Por vezes, a pressão do líquido magmático pode ser suficiente para causar a fracturação hidráulica das rochas encaixantes, dando origem a uma brecha eruptiva formada por fragmentos de rochas de natureza variada que o magma atravessou no seu trajeto para a superfície.

O arranjo tridimensional (dimensão, forma, tipo de contato) dos vários minerais que constituem as rochas ígneas define a sua textura, cujo aspecto varia substancialmente em função do seu modo de ocorrência (ou de jazida). No caso das rochas ígneas vulcânicas (ou extrusivas) a taxa de arrefecimento é demasiado rápida para que se desenvolvam cristais bem visíveis à vista desarmada. Pelo contrário, as rochas ígneas plutónicas descrevem processos de cristalização significativamente mais lentos que favorecem o desenvolvimento de cristais dimensões apreciáveis, normalmente à escala milimétrica a centimétrica. As primeiras são caracterizadas por texturas microcristalinas, ditas afaníticas (do Grego aphaneros, sem grão) e as últimas por texturas faneríticas (do Grego phaneros, com grão). A textura das rochas ígneas que materializam os filóes é variável e depende não só da profundidade a que estes se formaram, mas também da sua espessura, a qual condiciona em grande medida a taxa de arrefecimento e cristalização do magma. Como resultado dos diferentes pontos de fusão dos minerais é também normal o aparecimento de rochas ígneas com texturas inequigranulares, ou seja, heterogéneas no que diz respeito à dimensão dos grãos minerais que encerram. Os cristais que se destacam claramente de uma matriz de grão mais fino, são designados por fenocristais. Quando estes ocorrem associados a rochas vulcânicas, ou seja, quando se destacam no seio de uma matriz afanítica, dão origem a texturas porfiríticas. Pelo contrário, as rochas ígneas com textura porfiróide descrevem a ocorrência de fenocristais imersos numa matriz fanerítica formada pelo arrefecimento lento no interior de uma câmara magmática.

Os minerais que constituem as rochas ígneas são, frequentemente, subdivididos em minerais de cor clara (félsicos, como por exemplo, o feldspato e o quartzo) e em minerais de cor escura (máficos, como no caso da olivina, da piroxena e da anfíbola). A proporção entre minerais máficos e félsicos existentes numa rocha ígnea depende da composição química do magma original, permitindo classificar as rochas plutónicas em Gabros (largo predomínio de minerais máficos), Sienitos (minerais félsicos dominantes), Granitos (minerais félsicos dominantes e presença abundante de quartzo) e Dioritos (equilíbrio entre a proporção de minerais máficos e félsicos). No caso das rochas vulcânicas de textura afanítica a proporção relativa entre os minerais máficos e félsicos traduzse na existência de rochas de cor escura (Basaltos), clara (Traquitos e Riólitos) e intermédia (Andesitos). Importa referir que esta classificação é expedita e baseada apenas em observações de campo. A classificação de rochas ígneas de acordo com as normas internacionais baseia-se na sua caracterização ao microscópio petrográfico e ainda, em aspectos relacionados com a sua composição química determinada em laboratório.

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