3. Praia das FURNAS

3. Praia das FURNAS (N 370 43’ 09.6’’- W 80 47’ 23.2’’).

Junto ao farol de Vila Nova de Milfontes é possível avistar para sul a Praia das Furnas na margem sul do Rio Mira e adjacente à sua foz. Esta praia está separada de uma arriba (fóssil) recuada através de um extenso campo dunar com vegetação e com 150 a 300 metros de largura. A arriba com 15 a 30 m de altura é constituída por rochas sedimentares do Carbónico sobre as quais assenta em discordância angular uma sequência de areias e cascalheira amareladas-alaranjadas do Pliocénico-Pleistocénico que passa para o topo a areias esbranquiçadas que representam dunas consolidadas. Nesta arriba observam-se furnas (pequenas grutas) que resultam da erosão sobre as rochas sedimentares do Carbónico.

Os perfis de praia apresentam grande variação sazonal da largura da berma, do volume sedimentar depositado na base da duna frontal (que sofre recuos esporádicos) e da forte inclinação da face de praia.

Figura 8- Fotografia de satélite da praia das Furnas na foz do Rio Mira onde se observa o campo dunar e a arriba recuada e actual (a sul Vila Nova de Milfontes; extraída do ‘Google Earth’).

Um aspecto importante a realçar é a discordância angular que existe entre os depósitos sedimentares mais recentes do Cenozóico e as rochas sedimentares do Carbónico, que se pode observar no topo da arriba.

Figura 9- Vista da praia das Furnas onde se destaca a discordância angular do Cenozóico sobre o Paleozóico (vista do farol).

Ao atravessar a ponte sobre o Rio Mira observa-se que a deposição de sedimentos nas margens deste curso de água alterna entre areias provenientes da sua foz por efeito to transporte das marés, e as argilas que são transportadas pelas águas vindas de montante e que se acumulam para formar os sapais (N 370 43’ 32.6’’- W 80 46’ 9.3’’).

Figura 10- Vista para jusante (Oeste) com a deposição de areia e de argila na margem sul do Rio Mira (Fotografia da esquerda); Vista para montante (Este) com a Serra do Cercal no horizonte onde se observa a deposição de argila formando o sapal (Fotografia da direita).

A discordância angular que marca o topo da arriba é caracterizada pela existência de um angulo acentuado entre a inclinação da sequência de areias e cascalheiras do Cenozóico (a topo) e as camadas muito inclinadas do Carbónico (N 370 43’ 08.3’’- W 80 46’ 53.0’’).

Figura 11- Pormenor da discordância angular entre as camadas de areia e cascalheira do Cenozóico e as camadas muito inclinadas de rochas sedimentares do Carbónico (Junto ao acesso para a praia do Rio).

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