3. Praia do Telheiro

3. Praia do Telheiro (N 37º02’45,3’’ - W 08º58’45,1’’)

Na praia do Telheiro é possível observar, no sector norte, o contacto dos sedimentos vermelhos do triásico, sobre as formações cinzentas do Carbónico, que se encontram deformadas. O contacto entre as duas formações é designado por discordância angular, uma vez que a estratificação da formação subjacente tem uma inclinação mais acentuada do que a estratificação na formação suprajacente. Nesta praia encontram-se igualmente expostas as rochas argilosas (detríticas mais finas) de cor vermelha, constituintes da formação triásica. A descida para a praia faz-se, na quase totalidade, ao longo de uma rocha detrítica (semelhante a areia) bem cimentada que faz parte de um conjunto de dunas consolidadas, de idade quaternária. Nestas dunas antigas são visíveis estruturas cilíndricas, correspondentes a raízes fossilizadas e que tomam o nome de rizoconcreções.

Figura 5 - A - Contacto dos sedimentos detríticos do Triásico (avermelhadas), onde se observa a estratificação próxima da horizontal, com as rochas dobradas do Carbónico (de cor cinzentoescura). No topo da arriba é visível um afloramento do conjunto de dunas consolidadas, de cor castanho-escuro. B – Esquema interpretativo. Cinzento claro – Carbónico; Rosa escuro – Triásico; Cor de laranja – Duna consolidada; Castanho-escuro – blocos soltos.

Figura 6 - Depósitos argilosos do Triásico.

Durante a baixa-mar é possível realizar um percurso ao longo da arriba, em direção a norte (como representado na figura seguinte) no final do qual se pode observar um dos melhores exemplares da chamada discordância do Triásico.

Figura 7 - Percurso a realizar para observação da discordância entre as formações do Carbónico e as formações do Triásico. O percurso tem de ser feito na maré baixa e tem sectores de elevado grau de dificuldade.

Neste afloramento observam-se as camadas de xistos e grauvaques do carbónico, dobradas, que terminam contra uma superfície de erosão acima da qual se depositaram os sedimentos detríticos do Triásico. Esta discordância é visível em várias partes da Terra e tem grande importância na história geológica do nosso planeta. As rochas abaixo da discordância representam as últimas etapas de um ciclo de Wilson mais antigo, o Ciclo Varisco, do qual resultou a amalgamação de todas as massas continentais e formação do supercontinente Pangea, cercado por um mar, a Panthalassa. As rochas acima da discordância, mais recentes, correspondem aos primeiros sedimentos depositados no início do novo ciclo de Wilson, durante as primeiras etapas de fracturação da Pangeia, na sequência das quais iria nascer e evoluir o oceano Atlântico.

Idêntica discordância foi descrita pela primeira vez por James Hutton no ano de 1788, em Siccar Point, um promontório rochoso no litoral escocês, tendo servido como prova da veracidade das teorias uniformitaristas.

Figura 8 - Discordância do Triásico sobre o Carbónico a norte da praia do Telheiro. É bem visível a estratificação muito inclinada nas formações mais antigas, contrastante com a inclinação quase horizontal das camadas areníticas do Triásico.

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