6. Praia do Belixe

6. Praia do Belixe (N 37º01’33,1’’ - W 08º57’53’’)

Na Praia do Belixe é possível observar diversos aspetos sedimentológicos e estruturais das formações do Jurássico inferior deste sector da Bacia Algarvia. A praia corresponde a uma baía limitada por duas arribas verticais, a leste e a oeste, com um pequeno promontório a meio que limita o acesso ao sector ocidental, durante a preia-mar. Os sedimentos que afloram ao longo das arribas da praia correspondem aos calcários e calcários dolomíticos com nódulos de cherte (também observáveis no Cabo de S. Vicente) datados do Pliensbaquiano sobre os quais assentam em discordância calcários e calcários margosos do Toarciano. A superfície que separa as duas formações tem uma forma muito irregular, característica de superfícies que se desenvolvem por erosão. Tal significa que após a deposição da formação inferior e antes da deposição da formação superior, houve um período em que a sedimentação parou e os sedimentos já depositados começaram a ser erodidos.

Figura 13 - Vista geral do setor W da praia de Belixe. Nesta imagem é possível ver os sedimentos do Pliensbaquiano, que afloram desde o nível da areia até aproximadamente 2/3 da altura da arriba e os sedimentos do Toarciano que assentam discordantes sobre uma superfície de ravinamento (marcada a vermelho).

Uma das características mais notáveis desta praia é a morfologia singular dos nódulos de cherte. Em diversos pontos da praia é possível observar nódulos com forma de gota, com forma de gota invertida, nódulos alinhados ao longo de fraturas indicadores da ocorrência de movimentação antes dos sedimentos não consolidados que deram origem a estas rochas terem litificado.

Figura 14 - Aspeto geral de uma das paredes observáveis na Praia do Belixe onde é visível a profusão dos nódulos de cherte (corpos castanhos escuros a avermelhados) no seio dos calcários e calcários dolomíticos.

Figura 15 - Nódulos de cherte (corpos castanhos escuros a avermelhados) com forma de gota.

Figura 16 - Nódulos de cherte (corpos cremes a avermelhados) com forma de gota e de gota invertida, por vezes com fraturas unindo-os.

Figura 17 - Nódulos de cherte (corpos cinzentos a creme) alinhados sugerindo que terão sido formados por separação da camada de cherte subjacente.

Para além das notáveis características sedimentológicas, a praia do Belixe apresenta igualmente um conjunto interessante de estruturas geológicas resultantes das fases distensivas da evolução da bacia e das fases compressivas.

Ao longo de toda a arriba são visíveis falhas normais, algumas que deverão ter estado ativas durante a sedimentação e algumas falhas inversas, para além de uma dobra.

As falhas normais são a expressão das fases distensivas da bacia enquanto as falhas inversas e as dobras estão associadas às fases compressivas.

Figura 18 - Falha normal (tracejado vermelho) a afetar os sedimentos do Pliensbaquiano próximo do limite ocidental da praia do Belixe. A movimentação relativa dos blocos encontra-se representada pela seta a negro. O tracejado azul põe em evidência que o arraste resultante da movimentação da falha é bem visível nas camadas inferiores e desaparece para as camadas superiores, mostrando que pelo menos parte da movimentação da falha deverá ter sido contemporânea da sedimentação. Nestes casos as falhas designam-se por sinsedimentares.

Figura 19 - Falha de movimentação complexa (tracejado branco) visível no sector ocidental da praia do Belixe, onde é claro o arraste provocado pela movimentação inversa numa superfície de estratificação (pontilhado amarelo), que origina uma dobra no bloco superior da falha.

Algumas das falhas normais foram aproveitadas para a circulação de fluidos (como estruturas de grande permeabilidade que geralmente são), tendo-se precipitado quartzo dando origem aos filões que atualmente se observam ao longo da arriba.

Figura 20 - Filão de quartzo injetado ao longo de falha normal.

Na figura seguinte é apresentada uma interpretação geral da praia do Belixe onde são visíveis as principais estruturas presentes neste afloramento e as relações entre as diferentes formações existentes.

Figura 21 - Corte interpretativo das estruturas observáveis na praia do Belixe e das relações entre as diferentes formações aflorantes.

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