Paisagens culturais: Paisagens de montado no Alentejo litoral

Joaquina Soares

Em Portugal o sobreiro é de todas as nossas árvores aquela que se encontra mais largamente distribuída. Encontramo-la no Norte, no solar do castanheiro, do roble e do carvalho-negral; junto ao Litoral, do Tejo ao Minho, luta sem proveito nem glória com o pinheiro bravo; associa-se ao carvalho-português na Estremadura, à azinheira e ao pinheiro manso no Alentejo e vegeta a par da alfarrobeira nas quentes serras algarvias”.

J. Vieira Natividade (1950)

Introdução

O sobreiro (Quercus suber), também designado popularmente por chaparro, de copa desenvolvida e frondosa (Figs. 1-4), possui folhas persistentes ou perenes, de margens inteiras ou finamente serrilhadas, protegidas por verniz no anverso contra a perca de água por evapotranspiração. A sua altura pode atingir os 15-25m e a sua longevidade, os 150-200 anos. A casca espessa (suber ou cortiça) que reveste o seu tronco (Fig. 5), com extraordinárias qualidades de isolamento térmico e acústico e facilidade em se deixar esculpir, possui um enorme interesse económico, sendo Portugal o primeiro produtor mundial de cortiça. O seu fruto, glande ou bolota (Fig. 6), disponível entre Setembro e Janeiro foi ancestralmente o principal recurso alimentar utilizado na criação de gado suíno em regime de pastorícia. De Abril a Maio, no período de floração, os sobreiros adquirem uma cor amarelada que contrasta com o verde escuro da sua folhagem. Com uma distribuição geográfica correspondente à bacia do Mediterrâneo Ocidental, regista em Portugal a maior área de expansão.

No contexto nacional, o sobreiro tem a sua área de maior desenvolvimento no Alentejo de menor continentalidade (Fig. 5). Na Costa Sudoeste existem importantes manchas florestais com esta espécie sobretudo nos concelhos de Grândola e Santiago do Cacém. Os estudos de ecologia histórica da paisagem realizados por Paula Queiroz (1999), a partir de sequências polínicas recolhidas em lagoas litorais do noroeste alentejano, mostraram que o sobreiro surge na nossa floresta holocénica de forma expressiva a partir de há cerca de 7 500 anos em contextos bioclimáticos meso-mediterrâneos. O sobreiro alia-se a outras espécies arbóreas como o pinheiro manso (Pinus pinea), constituindo florestas mistas em regiões mais húmidas, e à azinheira (Quercus rotundifolia) em regiões mais interiores e áridas. A floresta de sobreiros, designada por montado ou montado de sobro (Figs. 7 -10) para distinção do montado de azinho, onde a espécie dominante é a azinheira, é o primeiro ecossistema florestal criado por intervenção humana sobre a floresta esclerófila meso-mediterrânea, através da substituição do sub-bosque por terras de pastoreio sobretudo para varas de porcos (Figs.11-14), mas também para ovicaprinos, e por terras de “semeadura”, ou seja, campos de cultura cerealífera.

O montado é a mais emblemática paisagem florestal de retoque antrópico, da nossa região, longamente afirmada nos últimos 5000 anos, a partir da segunda revolução neolítica ou revolução dos produtos secundários da criação de gado (Soares, 2013), é o resultado de um sistema de exploração integrado agro-silvo-pastoril.

A cortiça começou a definir-se como produto de valor económico no Séc.XIV. No reinado de D. Dinis figurava entre os produtos exportados para a Inglaterra. A evolução do valor da cortiça fez-se em curva ascendente com alguns momentos de recuo. Na 2ª metade do Séc. XVIII, começaram a ser fabricadas em Portugal rolhas de cortiça. Nos finais do Séc. XIX a industria corticeira sofreu um grande impulso e, em 1930, o número de operários corticeiros rondava os 10.000. Portugal detinha então o primeiro lugar entre os produtores mundiais de cortiça. Contudo, as exportações eram constituídas por cortiça não manufacturada. Em 1925, 90% da cortiça exportada não tinha quase nenhuma elaboração industrial.

O advento da indústria transformadora da cortiça, proporcionou evidente desenvolvimento socioeconómico de aglomerados urbanos da Costa Sudoeste, como Grândola, Santiago do Cacém, Sines. O sector corticeiro, em geral com elevados índices de rendibilidade, criou espaço para um operariado semi-urbano, que adquiriu consciência de classe, poder reivindicativo e capacidade de intervenção social nas comunidades locais (Figs. 28-34).

Residualmente, a madeira de sobro e sobretudo a de azinho foram importante matéria-prima para a produção de carvão vegetal. A sua importância económica alimentou a profissão de “carvoeiro” até aos anos 60 do século passado (Fig. 43).

Arte popular sobre cortiça

O tirador de cortiça utiliza um machado, uma escada, dois cochos, um para lavar a lâmina do machado e outro para molhar as pedras de amolar, e duas pedras de amolar (uma de grão grosseiro para adelgaçar a lâmina do machado e outra de grão mais fino para lhe dar o fio).

Ele próprio frequentemente decorava a protecção em cortiça da lâmina do seu machado (Fig. 16). Com a mesma economia de meios técnicos, dadas a pouca dureza e alguma plasticidade da cortiça, este material foi suporte privilegiado para ampla utilização no contexto da cultura material dos meios rurais, com destaque para os cochos (Fig. 35) e para o tarro, indispensável no equipamento do pastor (Fig. 36). Serviu igualmente de suporte para uma muito característica arte popular de pastores e de operários corticeiros. A título de exemplo refira-se um conjunto de pequenas esculturas que retratam tarefas agrícolas, realizadas pelo pastor e artista popular José Fernandes do concelho de Alcácer do Sal (Figs. 37-42).

O sobreiro é uma espécie legalmente protegida desde 2001, mas desde a Idade Moderna a sua protecção foi objecto de legislação. De certa forma é um símbolo da floresta autóctone portuguesa. Alguns exemplares tiveram direito a nome próprio, como a sobreira das Antas em Grândola (Fig. 1) ou a sobreira dos sapos em Sines (Fig. 3). O sobreiro dourado, no vale da Ribeira de Morgavel(Figs. 9-10) que recebe essa designação por se apresentar florido quase todo o ano, é objecto de uma lenda que explica esse estranho fenómeno pela suposta presença de moedas de ouro entre as suas raízes, que aí teriam sido enterradas por um velho agricultor cujos dois filhos não se entendiam na hora de dividir a herança. Na herdade das Ferrarias, em Grândola (Fig. 2 ), existe um sobreiro classificado de interesse público.

No montado, e em particular numa velha azinheira grandolense que já não conhecia a idade, ancorou José Afonso a sua composição “Grândola, vila morena”, hino da Revolução Democrática de 25 de Abril de 1974 e que em momentos depressivos, de restrições aos direitos, garantias e liberdades, o povo entoa na rua ou nas galerias da Assembleia da República. Em suma, ao montado alia-se uma cultura material e imaterial marcante no Alentejo Litoral.

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Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

José Afonso

O montado de sobro em Grândola

 Sector do Património Cultural da Câmara Municipal de Grândola (Carmen Carvalho, Germesindo Silva, Idálio Nunes, Purificação Pereira)

O montado ocupa uma parte significativa do concelho de Grândola, atingindo a densidade de sobreiros, em alguns locais, mais de 120 árvores por hectare.

Embora a extracção de cortiça e o abate de sobreiros no espaço grandolense seja comum desde a Idade Média, o montado só aumentou em dimensão a partir do século XVI, e sobretudo no século XIX.

Até cerca de 1850, o montado foi, essencialmente, relevante para a engorda de porcos), que advinham de vários pontos do Alentejo e, inclusive, da Estremadura espanhola.

Em 1766 foi acordado em reunião de Câmara que:

toda a peSsoa que uierem de fora a emgordar Porcos nos Montados do Termo desta villa paguem por cada cabeça para o concelho vinte reis, e o Escrivão lhe não passe Licença Sem lhe aprezentar Recibo do Thezoureiro do concelho

A. M. G., Livro deProvimentos do Corregedor (1722-1832)

Da História

Na Idade Média era comum a exploração de madeira de sobro e de cortiça nesta região, atestada por vários documentos.

A construção naval da época dos Descobrimentos utilizou a madeira de sobro para o cavername das naus, devido à sua dureza e resistência à humidade.

Na sequência das Cortes de Évora de 1490, D. João II tornou livre a extracção de cortiça, com excepção da dos sobreiros existentes nos coutos.

No foral manuelino de Alcácer do Sal, de 1516, há também referências ao transporte e exportação destes produtos.

Devido ao excessivo abate de sobreiros, para a construção de naus e produção de carvão, foram tomadas medidas de protecção desta espécie arbórea, designadamente, no tempo de D. João III e de D. Sebastião.

Em 1765, foi acordado entre a Câmara de Grândola e o Corregedor que:

Se pertendia evitar o inReparaueL damno que ã na facilidade Com que se cortão os Montados; E elle Menystro ouve por bem de Comfirmar E mandar por Em Sua total observância com pena dois mil Reis por cada huma Azenheyra Sobreyro e Carvalheyro que Cortasem pello pee para fazerem uso dellas para Carvão.

E quando Seja percizo aos Lauradores ou a outra qualquer pessoa o Cortarem alguma das dittas Arvores para a Sua Abogaria (sic) não ho poderá fazer Sem Lecença da Camera que aVeriguara Se he ou não justo o RequeriMento que Se fizer; o que Se não Emtendera Com os chaparros que poderão Ser desbastados para Melhor criação, E donde os OuVer Em abodancia poderá o dono daquelle Terreno fazer roça para as Suas Sementeyras Com a ReZerva Em porporcionada distanCia para Se criarem Em Montados

A. M. G., Livro de Provimentos do Corregedor (1722-1832)

As primeiras fábricas de cortiça

Embora a exportação de cortiça em Portugal remonte à Idade Média, só no século XVIII surgiu a indústria ligada à fabricação de rolhas.

No último quartel deste século, esta actividade tornou-se importante em Melides, que à época, pertencia ao concelho de Santiago de Cacém.

Num texto de uma Audiência Geral do ano 1795, refere-se que:

[…]” Por constar que os Rolheiros desta villa Custumão queimar a Cortiça para fazer Rolhas muitas uezes nas Ruas publicas e outras uezes nas estradas que saiem desta uilla de que Rezulta grande incomodo as pessoas que se derigem per ellas ou seia para uiagem ou Seja para paSseio de maneira que algumas dellas se achão na maior emdeSençia determinarão fazer a postura Seguinte =

[…] que nenhum oficial de Rolheiro desta uilla e seu termo poderá usar do seu oficio sem Carta de examinação e licença da Câmara na forma que se pratica nos mais ofícios e que aquelles oficiais rolheiros que já tem os seus lugares aSignados como acontece na ALdeia de Melides ou lhes forem aSignadas pella Câmara para queimarem as Cortiças não so os não alterem mas não se imturmetão […] a mudarem para outra parte sem licença da Câmara debacho da pena de des tostoens Referida na pustura aSima que dis Respeito aos Rolheiros que queimão cortiça nas estradas ou junto a ellas”.

A. M. S. C., Livro de Audiências Gerais de 1782 a 1801, fl 39v.

Não consta que, até à década de 70 do século XIX, tivessem existido, em Grândola, fábricas de cortiça. Desta forma, a totalidade da produção do concelho era vendida a compradores de fora, sobretudo de S. Brás de Alportel, Tavira, Loulé e Sines.

Mercê de um gradual interesse pelo negócio da cortiça no concelho, surgiu em 1871, a primeira sociedade de compra, venda e feitura de rolhas, a Nunes & Companhia, criada pelo Dr. José Jacinto Nunes, Manuel Espada, Jacinto Maria Durães e João Lagrifa.

Os Catalães em Grândola

Por volta de 1897, chegou a Grândola Ramon Granés, natural de Begur (Catalunha) região espanhola onde, durante a segunda metade do século XIX, a indústria rolheira atingiu um relevante desenvolvimento.

A vinda de Ramon Granés foi importante para o sector, uma vez que trouxe consigo além de equipamentos mais avançados, alguns operários rolheiros catalães.

Ramon criou em Grândola a firma de produtos corticeiros Granés & Companhia, e foi sócio gerente da filial, em Grândola, da firma Puig, Fina & Ribera, fundada em 1899, com sede em La Bispal, Rosendo de Pamplona, e dedicada à compra, venda e fabricação de rolhas e quadros.

Em 1900, Ramon Granés aforou, a título perpétuo, o cerrado de S. Sebastião, onde edificou a sua fábrica de cortiça, e onde residiu a comunidade catalã de corticeiros.

Em 1903, José Maria Fina y Bonet adquiriu as firmas de que Ramon era sócio, na sua totalidade.

Após a construção da via férrea do Vale do Sado e a chegada do comboio, em 1916, a indústria corticeira grandolense ganhou um novo alento, com o surgimento de novas fábricas, muitas delas nas imediações da estação do caminho-de-ferro.

Período áureo

O século XX foi a época de maior desenvolvimento da indústria corticeira no concelho de Grândola, nomeadamente no período que decorreu entre as décadas de 30 e 60.

Nesta fase, estiveram em actividade cerca de 39 fábricas possuidoras de caldeiras de cozedura de cortiça, para além de mais algumas dezenas de pequenos fabricos.

Para este surto de desenvolvimento contribuíram o aumento de produção de cortiça no concelho, a procura de produtos derivados, a melhoria das vias de comunicação e a existência de mão-de-obra disponível.

A maior parte das fábricas localizava-se no perímetro da vila de Grândola, com maior densidade nas proximidades da estação ferroviária.

Fábrica Granadeiro

De entre as fábricas de cortiça que laboraram no concelho, merece especial destaque a Fábrica I. Granadeiro, seguramente uma das mais importantes.

Depois de uma pequena fábrica na Av. Jorge Nunes, na década de 30, e de uma sociedade com Manuel Bernardino, Inocêncio Granadeiro criou, na Quinta Velha, a partir de 1942, a maior fábrica de cortiça que laborou em Grândola. Atingiu o seu apogeu na década de 60, altura em que chegou a dispor de cerca de 200 trabalhadores efectivos; a fábrica entrou depois em declínio, acabando por encerrar em 5 de Agosto de 1981.

Apetrechada com a maquinaria necessária para o tratamento de cortiça e a fabricação de rolhas (e palmilhas) chegou a dispor de:

Máquinas existentes na fábrica Granadeiro

Máquinas

Quantidade

Funções

Máquina de rabanear

4

Corte das pranchas às tiras "rabanadas", para o fabrico de rolhas.

Broca manual

15

Perfuração das rabanadas, da qual resulta rolhas cilíndricas.

Broca

semiautomática

2

Garlopas

8

Perfuração dos quadros, da qual resulta a rolhas cilíndricas.

Escolhedora

1

Escolha das rolhas.

Lixadeiras

6

Rectificação dos topos das rolhas, com a utilização de elementos abrasivos.

Rebaixadeiras

8

Moldagem do formato da rolha, adequando-a a funções especificas.

Falangeiras

4

Fabrico de rolhas de falange, ou de "chapéu" (rolha encimada por um cilindro de maior tamanho).

Traçadeiras

2

Corte das rolhas (dividir uma rolha em duas).

Tapadeiras

2

Confecção de discos de cortiça.

Máquina de espaldar

6

Corte da costa da prancha de cortiça.

Prensa hidráulica

2

Prensagem dos fardos de cortiça.

Máquina de lavar rolhas

1

Lavagem de rollhas.

Centrifugadora

1

Secagem das rolhas.

Máquina de fazer palmilhas

1

Recorte de placas para a fabricação de palmilhas.

Os Corticeiros

No concelho de Grândola, os primeiros trabalhadores com o estatuto de corticeiros foram os rolheiros de Melides, ainda no século XVIII.

Com o crescente surgimento de fábricas em Grândola, o número de operários aumentou, sendo muitos deles oriundos de outras terras, nomeadamente, de Sines, Ílhavo, São Braz de Alportel, Évora, Silves, São Teotónio, Cercal, Aljustrel, Vendas Novas, Almendro e Pallafrugell.

Pelo seu número e activismo, os corticeiros contribuíram, decisivamente, para a dinamização do comércio e das sociedades recreativas, desportivas e culturais do concelho de Grândola.

Em termos políticos, os corticeiros distinguiram-se pela sua capacidade reivindicativa, tendo levado a efeito um elevado número de greves, e sofrido múltiplas prisões e perseguições.

Processo de extracção, preparação e transformação da cortiça

O descortiçamento

O ciclo da cortiça tem início com o descortiçamento, operação efectuada quando as árvores atingem suficiente maturidade e dimensão.

A primeira extracção ocorre quando as árvores atingem o mínimo de 70 cm de diâmetro, a que corresponde uma idade entre os 25 e os 30 anos. A cortiça então retirada toma o nome de “virgem”.

As camadas seguintes, extraídas normalmente 9 ou 10 anos depois, tomam o nome de “secundeira” na segunda tiragem, e de “amadia” nas tiragens subsequentes .

A extracção é geralmente efectuada entre os meses de Junho e Agosto, período em que a cortiça se desprende com maior facilidade.

O descortiçamento deve ser evitado em dias de chuva, demasiado frios, ou demasiado quentes e secos, e em árvores sujeitas a poda exagerada.

A operação inicia-se por um corte transversal no tronco, com a ajuda de um machado próprio, seguido de cortes longitudinais, de cima para baixo, no fuste e nas pernadas. As pranchas são depois removidas com a ajuda do cabo (do machado).

Esta actividade é, geralmente, realizada por um rancho de trabalhadores, constituído por um capataz, tiradores, um responsável pelo carrego, um pelo empilhamento, um aguadeiro e uma mulher na função de “coca” (encarregada do cozedura das refeições).

Depois do descortiçamento, a cortiça é transportada para um local plano, ligeiramente inclinado e perpendicular aos ventos dominantes. Normalmente, é empilhada junto ao monte do proprietário.

Na formação das pilhas, de onde são excluídas a cortiça virgem, os bocados, e o refugo, as pranchas da camada inferior ficam com as costas viradas para o chão. As restantes posicionam-se ao contrário, para facilitar o escoamento das águas e a diminuição das infiltrações.

Cozedura

Uma vez adquirida pelos fabricantes, a cortiça é deixada em repouso durante cerca de seis meses, para estabilização. De seguida é enfardada, para se proceder à sua cozedura.

Durante cerca de uma hora, as pranchas são mergulhadas com a ajuda de um guincho (ou de um elevador), na caldeira em água a ferver, para que aconteça uma redução da sua microflora e para o acréscimo da sua flexibilidade e elasticidade.

As caldeiras de cozedura tradicional são em cobre, com um sistema de fornalha clássica (grelha sobrelevada, cinzeiro e chaminé), em que a chama incide directamente na tina da água. O aquecimento é efectuado com a utilização de lenha.

Após a retirada da caldeira, os fardos são empilhados, em local coberto e arejado, permanecendo em repouso durante cerca de duas a quatro semanas, para a diminuição da humidade e o aumento da estabilidade da cortiça.

Escolha e o traçamento

Logo que estabilizadas, as pranchas cozidas são escolhidas e separadas, tendo em conta a sua qualidade e espessura.

Posteriormente, com a ajuda de uma faca de gume curvo, é realizado o traçamento, que consiste na remoção dos bordos e fragmentação das pranchas, caso estas apresentem diferentes classes de qualidade ou calibre.

O processo de preparação das pranchas é finalizado com o enfardamento. Este é efectuado com a ajuda de uma grade metálica articulável (“gaiola”); com a prensagem, manual ou mecânica; e com a aplicação de cintas metálicas.

Por fim, os fardos de cortiça são vendidos para o mercado nacional e/ou internacional.

Fabrico de rolhas

Pela sua universal importância, de entre os múltiplos produtos feitos em cortiça, ou derivados desta, as rolhas ocupam um lugar especial.

O processo de fabricação de rolhas, de início manual, tornou-se depois mecânico, nomeadamente com o aparecimento das garlopas e das brocas.

Ambos os processos são antecedidos pela rabaneação, que é a operação, manual ou mecânica, de corte das pranchas em tiras - rabanadas- a partir das quais se confeccionam as rolhas.

Numa primeira fase, as rabanadas eram divididas em quadros – quadração - que eram perfurados um a um pelas garlopas. Estas, embora accionadas pela energia eléctrica, implicavam um impulso braçal na aproximação da broca aos quadros, para a fabricação das rolhas.

Posteriormente, as rolhas passaram também a ser fabricadas através da utilização de brocas a pedal, semiautomáticas e automáticas– brocagem - consistindo este processo na perfuração das rabanadas, no sentido perpendicular ao seu comprimento.

Após a fabricação, as rolhas passam por um processo de escolha, com vista a retirar as defeituosas e a separar as restantes, por classes de qualidade.

Uma vez escolhidas, as rolhas são depois introduzidas em máquinas, as lixadeiras que têm por função rectificar os topos, com a utilização de elementos abrasivos.

Para finalizar o processo, as rolhas são lavadas em tanques, numa mistura de água e produtos de branqueamento e/ou coloração, e depois secas ao ar livre ou em estufas próprias.

O sobreiro em Santiago do Cacém

Câmara Municipal de Santiago do Cacém

Santiago do Cacém é, desde sempre, caracterizada pela importância do seu montado e sobreiral, sendo considerados uns dos mais valiosos do país. Presentemente possui a 4ª maior mancha florestal de sobreiro e a maior do distrito de Setúbal (cerca de 46.000 ha) ocupando mais de 75% da área florestal do município. A densidade do arvoredo é aqui também bastante superior ao restante do território.

A paisagem atual é o resultado das transformações operadas pelo Homem sobre a natureza para colmatar as suas necessidades e o seu desenvolvimento, esta não pode ser deteriorada para não se perderem irremediavelmente valores históricos, culturais e naturais que são a chave da identidade dos lugares e das suas populações. As paisagens do montado desde sempre sofreram modificações, ainda mesmo antes de qualquer acção humana a acção natural dos elementos operaram transformações que criaram as realidades geográficas sobre as quais se implantaram as atividades humanas. No município de Santiago do Cacém são de especial importância as paisagens do montado de sobro e azinho e o sobreiral das encostas da serra e merecem, pela sua beleza, biodiversidade e importância socioeconómica, continuar a ser apreciadas e conservadas por todos.

O montado de sobro e azinho deverá ser olhado não apenas pela sua importância geográfica no município mas também pela sua importância socioeconómica, biofísica, faunística, florística e, também, pela tradição e importância dos sistemas agro-siIvo-pastoris na região mediterrânica.

Os sobreirais das encostas da serra são um tipo de paisagem caracterizador da região de Santiago do Cacém. As serras de Grândola e do Cercal estendem-se na direção Norte-Sul e surgem como ilhas de relevo que fazem a transição entre a planície litoral e a planície cerealífera do interior e que devido à proximidade do mar cria condiçõesecológicas específicas. O seu clima de influência atlântica é mais moderado e devido às diferenças de temperatura e precipitação a vegetação apresenta características próprias.

Os povoamentos suberícolas para além da sua função produtiva directa, produzem bens e prestam importantes serviços ecológicos à sociedade que, por não terem mercado no sentido económico do termo, dificilmente se podem contabilizar.

Ao nível turístico uma das apostas do município prende-se com o aproveitamento dos espaços arborizados e a sua ligação próxima ao turismo em espaço rural (TER), aoagroturismo, ao ecoturismo, a áreas transversalmente importantes como a gastronomia, a cinegética e o artesanato, através da valorização económica do território a par do desenvolvimento sustentável dos recursos endógenos, estratégia mais eficaz do que a simples aplicação de medidas estritas de conservação das espécies e dos habitats, reunidas sob o chapéu duma ótica de engenharia turística em defesa das populações locais.

Santiago do Cacém é um dos promotores da candidatura do montado a património da humanidade mas é também um dos parceiros para a execução das cartas do património cultural e do património natural do litoral alentejano nas quais o montado tem igualmente lugar destacado.

O município de Santiago do Cacém é, e assim pretende continuar, um defensor da cultura do sobreiro e do montado seja na promoção do seu cultivo seja na criação de condições para o estudo, defesa, classificação e promoção das atividades a eles associadas.

O sector corticeiro em Sines. Patrimónios histórico e imaterial

Serviços Culturais da Câmara Municipal de Sines

Cortiça e os corticeiros

A indústria corticeira instalou-se em Sines no século XIX, com capitais principalmente ingleses e catalães. Beneficiava da proximidade da matéria-prima (a serra de Grândola e do Cercal), da existência de um porto de mar e de mão-de-obra abundante e barata. Pidwell, Granés, Pratz, Wicander e Bucknall, Herold são os principais nomes da indústria transformadora da cortiça. Mas não faltavam pequenas e médias fábricas portuguesas, como a Corticeira de Sines, ou os pequenos fabricos familiares.

Instaladas na Estrada do Cercal (com início na Rua Pedro Álvares Cabral), na Estrada Nova (actual Rua Marquês de Pombal), São Sebastião e Largo de Nossa Senhora das Salas, as fábricas de cortiça marcaram o quotidiano da vila: o vai e vem dos operários nas horas de entrada e saída, a chegada e a saída da cortiça, as suas reivindicações, bem como a participação nos principais movimentos sociais do século XX em Sines.

Em 1911 o sector ocupa cerca de um terço da população activa. Só a fábrica Herold tem à época 147 operários e transforma 14 619 fardos de cortiça. Com a chegada do comboio a Ermidas o transporte ferroviário vai substituir progressivamente o transporte marítimo e Sines perde peso no sector. Nos anos 60 está já claramente em declínio, com várias fábricas encerradas ou bastante antiquadas.

Principais greves dos operários corticeiros

1908

Os operários corticeiros de Sines conseguiram sustentar uma greve entre Novembro de 1908 e Março de 1909, com apoio dos comerciantes da vila e num contexto nacional de reivindicações. A greve foi bem sucedida no que toca aos aumentos salariais, embora não tivesse conseguido ver atendidas as pretensões relativas à exportação da cortiça. A sua principal vitória foi ao nível da criação de uma tradição de coesão e combatividade, de um sector que se tornaria líder da contestação social em Sines, apoiando outros grupos sociais, como os marítimos.

1911

Os operários da Herold entram em greve por solidariedade com os operários da mesma empresa no Barreiro; no mesmo ano as cinco fábricas mais relevantes da vila (além da Herold, a Prats, a Francisco Bigas, a Bucknall e a Arps) encerraram em solidariedade para com os operários de Almada.

1912

Em Novembro, os corticeiros entraram em greve por dois meses pela melhoria de salários e contra o aumento do preço dos géneros.

Apesar do envio de uma força militar, a secção de Sines conseguiu manter a greve com o auxílio dos trabalhadores rurais do concelho, os quais enviam alimentos e dinheiro, assim como os trabalhadores de Almada, Belém, Poço do Bispo e Grândola.

1914

Uma nova greve despoletou-se então entre os trabalhadores da Herold, num contexto de paralisação das restantes fábricas por falta de matéria para laborar.

1916

Em Abril de 1916 e secção dos corticeiros desempenhará um importante papel junto dos operários das armações de pesca em greve, solidarizando-se com os mesmos.

1917

Em 10 de Setembro de1917, os operários corticeiros entram de facto em greve durante um dia.

1918

Criação da Liga Operária Sineense, tendo como presidente José Maria Ferreira. A Liga, em contraposição com a Associação Comercial e Industrial, é uma organização de defesa dos consumidores face ao açambarcamento, à venda dos géneros acima das tabelas de preços e à qualidade dos géneros alimentares vendidos.

1919

Greve dos quadradores.

Estão em greve os quadradores de todas as fábricas de cortiça de Sines por exigirem aumento no salário: Em vista do patronato não lhes conceder o augmento exigido teem retirado para Lisboa muitos operários em procura de trabalho. “

Sem autor, «Folha de Sines», N.º 8, 19 de Outubro de 1919

Ecos de Sines

Década de 20

A década de 20 foi, em Sines, plena de manifestações e tumultos. Apesar de não se conhecerem os acontecimentos ocorridos com segurança, um dos episódios terá gerado uma importante memória colectiva. Assim, uma greve dos corticeiros nesse período terá sido frustrada pelo industrial da cortiça Carlos Esteves, que alugou o iate Violeta para embarcar a cortiça para Lisboa.

1926

Entre 21 de Junho e 17 de Julho, houve uma paralisação das actividades económicas em Sines, em que os operários corticeiros e os republicanos tiveram um papel relevante. Exigiu-se a substituição do Administrador do Concelho nomeado pela Ditadura Militar.

18 de Janeiro de 1934

O país mobiliza-se contra a legislação restritiva do movimento sindicalista. Em Sines, a greve durou um dia, mas registou uma adesão maciça, decorrendo de forma pacífica, e não houve notícia de atentados ou violência.

1940

Sessenta estivadores do Porto de Sines elegeram uma comissão delegada constituída por Francisco Eusébio, Carlos José e José Casimiro para organizarem uma secção sindical local. O Instituto Nacional de Trabalho e Previdência considera ser “inconveniente” essa criação.

No mesmo ano organizou-se em Sines a secção do Sindicato Nacional dos Operários Corticeiros do Distrito de Setúbal. Os membros fundadores e organizadores foram José Francisco da Silva, José Francisco dos Santos Silva, Miguel Ricardo Raposo, Joaquim Roberto, Edmundo António Prata e José Alexandre Maia.

Memórias e imaginário popular. Do montado à fábrica

Depoimentos

I - Pedro Pinela de Campos

O Feitor da Provença

Pedro Pinela de Campos nasceu em 1925 no Monte da Esteveira Velha, no Concelho de Sines. Viveu toda uma vida dedicada à agricultura e à pecuária, primeiro na herdade paterna e mais tarde como feitor da Provença, dirigindo os diversos trabalhos agrícolas, de que aqui lembra em particular as tiragens da cortiça.

Fui para a [herdade da] Provença em 1948, quando era feitor o meu primo Chico Simões. Quando ele abalou tornei-me feitor, isto em 1952. Mandava em tudo menos na venda da cortiça: organizava os trabalhos, contratava os homens, comprava bois, vendia bois, enfim, tive esse cargo todo.

A tiragem da cortiça é sempre a partir de 15 de Maio até ao fim de Agosto. Em Setembro já dá mal, muitos dos lavradores já não querem tirar em Setembro porque dá em sair com bocados de casca e quando sai com casca, a casca é uma ferida na árvore e fica… nunca mais se cura.

Havia lá na Provença uma sobreira muito antiga, a sobreira dos sapos (Fig. 3). Os restos desta ainda existiam há três ou quatro anos. Quando eu fui para a Provença, em 48, ainda tiraram cortiça de uma pernada ou duas, mas só um ano. A sobreira estava velha e começou a não dar já. Era capaz de ter mil anos… Eram precisos uns três homens para a abraçarem.

A tiragem era feita por um rancho de doze homens. Quem o organizava era o manageiro. O lavrador tinha a cortiça para tirar e tinha um manageiro certo todos os anos, com quem ele contactava e esse homem é que tinha o rancho completo, lá à maneira dele. Na Provença enquanto o meu tio João foi vivo era o “Furamatões” e depois passou a ser o António Gervásio. Alguns homens vinham de longe, da Sonega, de Santiago do Cacém, das Relvas Verdes, uns daqui, outros dalém.

Normalmente eram doze machados no primeiro dia até ao almoço e depois um desses machados, que era o empilhador, tinha já cortiça para empilhar e ia para a pilha e já não saia de lá sem acabar a tiragem. E um moço, ou algumas vezes uma mulher, era o taqueiro, para juntar os tacos, que eram os pequenos bocados de cortiça que ficavam perdidos na erva, que se juntavam para dentro de uns sacos que eram postos junto dos releiros de cortiça - os montes que se faziam no campo e de onde depois se levava a cortiça para a pilha que ficava junto ao monte. Dantes a cortiça era carregada com bois, tractores havia poucos.

Dos onze machados, cada dia havia um que era aguadeiro. Quando não fazia falta ir à água ia tirar cortiça, quando a água estando acabada na quarta, ia buscar mais.

Nalguns anos aparecia um aprendiz para tirador, que tinha jeito. Nesses anos havia dois homens que eram os mestres que estavam encarregues de o ensinar.

Havia ainda um que era o marcador, um moço que andasse na escola e estava em férias, que marcava com um latinha de tinta, não usavam cal porque tinha de durar 9 anos, até à próxima tirada.

Nos tempos antigos o rancho enrregava [começava a trabalhar] com uma hora de sol e largavam com meia hora de sol. Depois das coisas irem evoluindo começaram a trabalhar oito horas. Era um serviço duro e pesado. Tiravam por ano 2 800 / 3 000 arrobas, na Provença. Eram cerca de duas semanas de trabalho.

Tinham duas horas de paragem ao meio dia, para almoçar e descansar.

O rancho tinha uma coqueira – uma mulher para fazer o comer. Os homens levavam toucinho, batatas, feijão, para entregar à coqueira para ela fazer a comida. Cada um levava uma panela com o comer já organizado que punha junto do lume e ela tomava conta.

A partir do fim dos anos 50 passou a haver mais transportes e as coisas mudaram. Deixou de haver coqueira porque traziam o comer feito de casa onde iam dormir. Até essa altura os tiradores dormiam lá nas arramadas ou no palheiro ou mais deles faziam a cama lá junto à pilha da cortiça. Dormiam ao ar livre. Levavam mantas e estendiam uma folha de cortiça, daquelas sobreiras grandes e dormiam ali em cima.

II - Mariana Maria Custódia

Coqueira

Mariana Maria Custódia nasceu em Odemira em 1940 e vive há Sines há mais de trinta anos. Actualmente reformada da Função Pública, ao longo da sua vida trabalhou também na ceifa, na monda, foi coqueira, entre outros. São imensas as memórias que guarda desses tempos algumas relacionadas com o tempo em que era coqueira dos tiradores de cortiça.

Lembro-me tão bem! Parece que estou eu vendo as malhadas que a gente fazia assim onde estavam aqueles grandes sobreiros e depois ali debaixo metíamos as nossas coisas , perto das árvores para a orvalhei ra não cair em cima da gente.

Quando íamos para aqueles sítios longe e não podíamos vir a casa partíamos logo de manhã muito cedo, ainda com escuro, e quando chegávamos lá arrumávamos as nossas coisas todas ali num sitiozinho. Fazíamos a cama num instante, ali perto das árvores. Era um tempo que não chovia, era verão, mas ali debaixo das árvores estava-se mais aconchegado.

Eu e o meu marido, ficávamos mais afastados e os que não tinham mulher iam mais para lá para estarmos todos mais à vontade, porque já se sabe eles diziam tudo uns aos outros na brincadeira.

Dormir em cima da cortiça eu nunca dormi em cima disso, dormia era numa cama de palha que agente apanhava por ali, estendia-se ali no chão e pronto. Algumas pessoas ficavam só debaixo dos sobreiros, outras faziam uma cobertura com a cortiça. Alguns queriam antes estar vendo as estrelas e não queriam nada por cima. Outros ainda estendiam uma golpelha em cima da palha, havia aquelas golpelhas nas feiras, depois uma manta de lã e faziam assim a cama.

De manhã, como eu era a coqueira o meu marido levantava-se cedo e acendia o lume para me ajudar. Era um lume como daqui além [cerca de sete metros] e depois panelas de um lado e de outro. Eu cuidava daquilo tudo, mexia numa, mexia noutra. Eles deixavam logo o arrozinho ou as batatinhas que queriam por na panelinha, ficava logo tudo orientado. Eu depois começava na primeira e era até à última. Eles punham aquilo tudo num cordão, era uma panela, outra panela, até à última e os sacos a mesma coisa. Era assim para eu não me enganar, porque escrever quase ninguém escrevia senão punham ali umas letrinhas e uma pessoa orientava-se. Eu nunca me enganei. Mas eles diziam assim: “se se enganar não faz mal, isto é tudo a mesma coisa arroz, batata, seja lá o que for a gente come “. Mas nunca me enganei.

A água era um homem do patrão que vinha trazer com uma carroça e trazia a água porque as bicas onde havia água ficavam a uma lonjura para uma pessoa ir buscar uma pinga de água para tanta gente e tanta panela. O patrão, o dono daquela propriedade mandava lá pôr água. Tínhamos sempre água e lenha à farta, mesmo os homens também arranjavam lenha, cortavam pernadas das árvores com os machados.

Os homens cantavam modas alegres, parece que estou eu vendo.

Cantavam em cima dos sobreiros. O meu marido cantava muito bem e os outros pediam-lhe ”Custódio canta lá uma modinha” e ele cantava os dias inteiros mesmo farto de trabalhar.

Porque tirar cortiça é muito cansativo e não é para qualquer um.

Eu era capaz de ainda ir dar com os sítios onde a gente dormiu e onde a gente fazia o comer.

Começavam a tirar a cortiça cedinho e depois ao meio dia paravam e tinham uma hora e meia para almoçar e descansar , eles tinham de fazer umas doze horas por dia.

Eu à tarde ia apanhar tacos e metia-os dentro de uma rede redonda e depois ia tudo não sei para onde , para as fábricas.

Não faziam logo uma grande pilha, iam deixando uma pilhazinha aqui outra mais além

E depois quando a cortiça não estando tão verde depois de apanhar sol, passado um tempo eles carregavam tudo para a eira dos lavradores , depois da debulha quando a eira já não fazia falta, empilhavam ali a cortiça toda porque se a deixassem naqueles corgos uma aqui outra ali roubavam-na.

O jantar já não era a coqueira a fazer, cada um fazia o seu.

Levávamos toucinho, batatas, feijão, grão, massa, abóbora e à vezes um bocadinho de bacalhau.

Em todas as propriedades, toda a herdade tinha um monte dos lavradores e eles iam lá muitas vezes levar fruta e presunto aos trabalhadores.

Quando eu estava lá e via as árvores sabia logo quando era o tempo de tirar a cortiça mas agora não as vejo… Porque a cortiça quando está verde não se pode tirar

Os homens para saberem os anos que a cortiça tinha faziam um corte em triângulo com o machado e arrancavam esse bocado de cortiça e depois viam quantos veiozinhos a cortiça tinha, cada ano era um e assim eles sabiam se a cortiça estava capaz de tirar. A que ainda não tinha o tempo não se tirava porque depois os compradores iam olhar a qualidade da cortiça.

A Higiene então aquilo era naquelas ladeiras, escondíamo-nos atrás dos sobreiros.

Eu ia-me lavar naquelas ribeiras, eles iam tirar cortiça e eu ia me lavar nas ribeiras.

Ficávamos ali até o trabalho acabar e depois íamos para outra herdade. Era trabalhar quase de sol a sol.

À noite não tínhamos nada para fazer pois o que é que a gente havia de fazer não havia nem sequer uma televisão nem um rádio nem um relógio sequer, só o manageiro é que tinha relógio.

III - Antero Raposo

Quadrador

Data e local da entrevista: Papelaria Raposo, 19 de Fevereiro de 2008

Antero Raposo nasceu no dia 16 de Abril de 1925. Entrou na escola oficial com sete anos e foi aluno da D. Aninhas, com a qual fez o exame da quarta classe. A partir daí dedicou-se aos trabalhos da cortiça, aprendendo a arte com os mestres e os outros operários.

Fiz o exame da quarta classe com a Dona Aninhas. E a partir daí acabou. Fui aprender a arte corticeira. Aprendi juntamente com os outros, mas quem me ensinou mais foi um fabricante de cortiças, que era o Abel Raposo, que era sobrinho da minha avó.

Houve falta de trabalho, houve aí umas complicações por causa de indivíduos que não atingiam o preço das jornas, chamava jornas. Porque a gente nunca trabalhou de jorna, trabalhou sempre de empreitada, quem mais fazia era quem mais ganhava. O trabalho era duro, muitos serões, com um candeeiro a petróleo, trabalhava-se ali até à meia-noite, onze horas, aquilo era de empreitada, o que se fizesse era o que se ganhava. Não era assim muito, era um bocadinho à rasca.

A primeira operação realizada para a preparação da cortiça consistia em cortá-la, com uma serra, pelos “inguiados” (veios).A seguir vinham para a fábrica, era raspado. [O instrumento chamava-se] uma raspadeira. Depois era encaldeirado, era cozida a cortiça. Cada caldeirada levava dois fardos de dezoito arrobas cada um, uma hora de cozimento. Depois era empilhada, repouso de dois dias, e depois era traçado, pelos traçadores.Traçar era dividir as qualidades por calibres, [medidos através de ] um pé-de-linhas (…).Um pé de linhas é isto, é para medir os quadros. [Um quadro ] É cortado com uma lâmina, com um porta lâmina, a gente chama-lhe o burro. Pegávamos na lâmina e cortávamos, à mão, assim, e tem um encosto que é um ferro, um encosto que é aparafusado, era uma dorna para cortar ao meio, depois fazia-se uma cavidade na dorna e era pregado o ferro, com um espaço aí de trinta, quarenta centímetros, era pregado e depois era feito naquele ferro, encostava isto ao ferro e quadramos. Fazia-se a rabanada, que é isto. [As rolhas são feitas com uma garlopa]. A garlopa é uma bancada com duas tiras de ferro a que aparafusam uma folha, e à frente é uma espécie de um parafuso, depois conforme se empurra a lâmina corta, essa giratória que faz o quadro, é isso que faz a rolha. Trabalhei na Cova da Piedade a fazer mancos era quadrados de cortiça era rabanado, a gente despausava, limpava e depois quadrava. Eu nunca tinha feito aquele trabalho e quando mo apresentaram fiquei assim um bocado complicado. O dono da fábrica, que era o sr. Primo dos Santos e eu disse que nuca tinha feito aquele trabalho, que era o manco. Era o tal burro ou o porte-lâmina com o furo à frente, depois leva uma cavilha enroscada à frente (…). E depois a cavilha que é aparafusada nesse tal burro ou porta-lâmina e é tirada à medida com este pé de linhas, assim, e pôr aqui na largura de 18 linhas com 10 de altura. E depois vinham essas peças, era cortado assim, tal e qual como aqui está, assim, e depois eram colados, as duas partes coladas com cola própria para isto, e depois levava ou médios, dois médios, à cabeça, ou duas pastilhas, era conforme o calibre do quadro, da rolha que queriam fazer, eram às cabeças. Os tais mancos eram postos, ou médios ou pastilhas, era tudo colado. E depois ia a uma estufa, que era aquecido com fogo por baixo para colar melhor a cortiça. Depois ia, eu vi fazerem isto, este trabalho. Depois ia à garlopa e saía a rolha perfeita de champanhe.

Havia muitos operários que não sabiam ler. Um dava cinco tostões, outro dava três tostões, e juntava aquele dinheiro e comprava o jornal diário, de maneira que o que sabia ler lar para quem não soubesse, lia para todos. E depois ia, por exemplo, eram vinte operários, e destinavam a perda de tempo que esse operário tinha a ler, compensavam-no em dez quadros ou vinte quadros cada um. Eles ouviam ler, mas faziam dez quadros do calibre e juntavam aqueles dez cada um, faziam [um] cento ou dois centos e depois davam-lhe a ele.

IV -Brites Maria do Ó Sabino

Francisco José Sabino e a Fábrica de Cortiça SOCOR

Francisco José Sabino nasceu no Escoural – Évora em 1920. Chegou a Sines em 1960 para tomar posse de uma fábrica de cortiça, entregue a seu pai como pagamento de uma divida. Colocou a fábrica a laborar e fixou-se aqui até hoje. A sua história é nos contados por sua filha Brites Maria do Ó Sabino, que nasceu em Sines um ano depois e que cresceu, brincou, trabalhou e viveu toda uma vida na fábrica de cortiça SOCOR.

A fábrica já existia há muitos anos. Mas o meu pai não é de cá, tinha herdades, era um dos maiores produtores de gado e cereais em Évora e arredores. O meu avô era o manda chuva daquilo tudo. Num negócio feito em Évora na herdade da Casa Branca, não sei se de vacas ou cabras, há um indivíduo que não paga e como penhora cede a fábrica ao meu avô. Fábrica essa que ninguém sabia onde é que era, porque de lá ninguém sabia que existia Sines nem perto nem certo.

O meu avô veio com o filho mais velho, que é o meu pai, porque aquilo era hierárquico. Vem ver onde é que ficava essa tal da fábrica e eles ficaram a olhar para isto - não percebiam nada de cortiça nem nunca na vida tinham pensado em vir a entrar neste negócio. Diz então o meu avô: “ Meu filho! O menino fica, você é o primogénito, vou-lhe arranjar um sócio gerente que percebe de cortiça para o ajudar”. Vem o senhor Guerreirinho, que ficou sob a alçada e confiança do meu avô. O senhor Sabino fica cá sem perceber nada de Sines, sem saber nem para que lado ia nem para que lado vinha, com o tal do Guerreiro e começaram a fábrica.

Trabalharam aqui muitos homens e mulheres. Chegaram a ser cento e tal pessoas, que trabalhavam durante o Inverno e no Verão eram liberados para a pesca, para amanhar as redes e para os restaurantes porque era a época turística - Sines tinha uma praia lindíssima! Era também quando o meu pai ia comprar cortiça no campo e em Setembro / Outubro retomavam o trabalho.

Na altura não havia mais nada e o Inverno era rigorosíssimo. A vida na fábrica também era dura. Eu acho que especialmente para o homem da caldeira, que eu sempre o vi preto, eu chegava a perguntar se ele era mesmo preto, mas o homem era branco.

Havia a horta que se cultivava, porque isto era um sistema de sociedade em que as pessoas cultivam o que consumiam, só comprávamos o peixe. As vacas vinham inteiras das herdades eram partidas e iam para as salgadeiras que ficavam na primeira casa da entrada e conservavam-se ai e duravam o ano todo.

Os trabalhadores traziam um farnel de casa e outras vezes a minha mãe fazia um rancho normalmente nos meses de Maio e Junho. Punha-se uma mesa que tínhamos em forma de S [de SOCOR] e a minha mãe cozinhava para aquela gente toda, em grandes panelas da pensão “Beira Mar” e depois era vinho e melancias muito grandes, tudo de boa qualidade.

Os trabalhadores eram pagos à semana. Eu lembro-me de ver muitas moedas, era tudo pacotinhos de moedas e lembro-me de as contar e ajudar a por o nome nos pacotinhos: Carrasqueira, Rafael, o Sr. David, etc. O meu pai sempre foi um homem extremamente justo e honesto, não é um homem de brincadeiras, é um homem sério. Eu só conheci o meu pai a trabalhar.

A fábrica começa em grande porque faziam desde as rolhas aos tapetes e exportavam. A cortiça vinha em bruto, era escolhida, eram feitos os fardos, era prensada e a seguir ia para a caldeira. Ainda está lá a chaminé e por baixo está um buraco enorme onde cabiam dois fardos com não sei quantas toneladas. A que não era exportada passava para o lado das rolhas, onde está agora o Teatro do Mar.

A Socor aparece como o renascer da industria corticeira em Sines que existiu mas estava em baixa. Esta fábrica aparece com uma grande importância para Sines em termos de mercado de trabalho e de oportunidades.

É nessa altura [1960] que é feito um desafio ao meu pai que entra por brincadeira na construção de um carro de carnaval [que representava uma fábrica de cortiça]. É o camião que ia buscar a cortiça, uma Daf azul muito grande que foi toda forrada em rolhas de cortiça e ganhou o 2º prémio.

A fábrica funcionou desde 1960 até ao 25 de Abril. Começou a haver falta de gente para trabalhar, entretanto a cortiça entra em queda vertiginosa o meu pai já estava cansado e era sozinho, os irmãos não percebiam do negócio e ele já estava com mais de sessenta anos e resolve acabar, não está para ir sozinho por esses matos fora.

Era uma vida ingrata e o camião virou-se várias vezes na estrada. Porque aquilo era assim: tinha de ir de monte em monte; escolhia a pilha; era carregada para o carro, aquilo eram alturas disparatadas, as estradas eram muito estreitas, a pilha batia nas árvores e virava o camião. Eu não sei como é que ele não morreu com os homens.

Nós brincávamos aqui eu a Lili, o meu primo Isidro, a Julieta, o João Luis era a vizinhança e brincávamos todos na cortiça. Era muito bom! Isto para mim tem muito significado: foi aqui que eu brinquei. Todos os dias acabávamos a brincadeira da mesma forma: na banheira e chorando.

E foi isto a história da fábrica que durou anos e acho que foi agradável enquanto durou. Há uma certa saudade às vezes mas os tempos mudam e a idade avança mas isto ainda está tudo igual.

V – A firma O. Herold & Companhia – Lisboa

Per aspera ad astra”

A nossa casa dá como data da sua fundação o anno de 1791, visto o seu livro de escripturação mais antigo existente ser d’este anno. Vê-se por este livro que a nossa firma existia já desde alguns annos antes, por isso que n’elle se faz por muitas vezes referencias a negócios realizados antes de 1791. Adoptámos, porem, para não basearmos as nossas declarações em terreno falso, o anno acima referido como data da nossa fundação.

Os negócios da nossa firma foram até certa data de comissão e consignação, começando posteriormente a ser de conta própria, especialmente, entre muitos outros, os ramos seguintes:

Importação: CARVÃO MINERAL.

Exportação: SAL (hoje Companhia do Sal de Portugal), CORTIÇA E ROLHAS,

trabalhando actualmente nos nossos escriptorios de Lisbôa, Barreiro, Vendas Novas e Sines,

11 chefes de secção e

46 empregados

57 pessoas total.

As exigências dos diferentes compradores de cortiça e rolhas levaram-nos a começar pouco mais ou menos em 1890 a fabricar estes artigos de que trata este álbum que tomâmos a liberdade de offerecer aos nossos amigos antigos e modernos como signal de gratidão, e como recordação da sua visita á Secção portugueza da Exposição Universal do Rio de Janeiro.

Lisboa, Março de 1908 O. HEROLD & CO.

(…)

Differentes razões levaram, no anno de 1900, os chefes da casa a adquirir em Sines, também no Alentejo, uma terceira fabrica, com uma área de 10 000 metros quadrados de superfície, e na qual já estavam interessados desde alguns annos, de maneira que a casa O. Herold & Co. é hoje possuidora de 3 fábricas com 920 empregados e operários.

Pessoal technico das fabricas (sem o pessoal dos escriptorios):

1907 / Sines :

Empregados: 1

Mestres: 5

Operarios: 141

Total: 147

A direcção technica das fabricas está actualmente confiada co Snr. ALBRECHT VON KOSS, representante da casa com procuração, que desde 1896 se dedicou no nosso serviço a este ramo, sendo auxiliado no serviço das fábricas pelos respectivos gerentes: JOHANN DANNER, Barreiro; JACINTHO ROCHA, Barreiro; ANTONIO ROCHA, Vendas Novas; FRANCISCO JOAQUIM RAPOSO, Sines

Fig. 1 – Sobreira das Antas. Herdade das Antas (Grândola). Foto de Arquivo do Sector do Património Cultural da Câmara Municipal de Grândola.

Fig. 2 – Sobreiro da Herdade das Ferrarias (Grândola), classificado de interesse público Foto de Arquivo do Sector do Património Cultural da Câmara Municipal de Grândola.

Fig. 3 - Sobreira dos Sapos (Sines). Foto de arquivo da Câmara Municipal de Sines.

Fig. 4 – Sobreiro. Santiago do Cacém. Foto de Rosa Nunes.

Fig. 5 – Suber ou cortiça de sobreiro que nunca sofreu descortiçamento e distribuição do sobreiro em território português. Foto de Rosa Nunes.

Fig. 6 - Ramo com folhas e landes ou bolotas. Foto de Arquivo do Sector do Património Cultural da Câmara Municipal de Grândola.

Fig. 7 – Montado. Grândola.Foto de Arquivo do Sector do Património Cultural da Câmara Municipal de Grândola.

Fig. 8 – Margem de montado. Melides. Foto de Rosa Nunes.

Fig. 9 – Sobreiro dourado. Ribeira de Morgavel, Sines. Foto de Rosa Nunes.

Fig. 10 – Sobreiro dourado. Ribeira de Morgavel, Sines. Foto de Rosa Nunes.

Fig. 11- Engorda de porcos no montado.Foto de Arquivo do Sector do Património Cultural da Câmara Municipal de Grândola.

Fig. 12- Engorda de porcos no montado. Herdade da Provença, Sines. Foto de Rosa Nunes.

Fig. 13- Engorda de porcos no montado. Herdade da Provença, Sines. Foto de Rosa Nunes.

Fig. 14 – Transumância de varas de porcos entre os montados de Grândola e o interior ibérico (1693/1695). Arquivo do Sector do Património Cultural da Câmara Municipal de Grândola.

Fig. 15 – Pilhas de cortiça ainda no montado. Melides. Foto de Rosa Nunes.

Fig. 16 – Machado para extracção de cortiça com proteção do gume. Colecção MAEDS. Foto de Rosa Nunes.

Fig. 17 – Imagens dedicadas à actividade corticeira em Sines. InIlustração portuguesa, n. 247, 14.11.1910, p. 626.

Fig. 18 – Imagens dedicadas à actividade corticeira em Sines. InIlustração portuguesa, n. 247, 14.11.1910, p. 627.

Fig. 19 – Industrial corticeiro, Dr. José Jacinto Nunes. Grândola. Arquivo do Sector do Património Cultural da Câmara Municipal de Grândola.

Fig. 20 - Industrial corticeiro, Ramon António Domingo Granés Pi (1852-1913). Sines. Arquivo Câmara Municipal de Sines.

Fig. 21 – Mapa das fábricas com caldeira que funcionaram em Grândola. Arquivo do Sector do Património Cultural da Câmara Municipal de Grândola.

Figs. 22-23- Fábrica Manuel Bernardino (Avenida Jorge Nunes, Grândola) – 1950.

Fig. 24 - [1953] Planta do prédio e do local onde Miguel Ricardo Raposo tem instalada a sua fábrica manual de fabricação de quadros e onde pretende montar uma caldeira de coser cortiça, sítio de Tanganheira de Baixo, freguesia e Concelho de Sines. Documento nº 6 do processo nº 4/2651 da 4ª Circunscrição Industrial relativo a uma fábrica de transformação de cortiça com caldeira para recozer de Miguel Ricardo Raposo. Arquivo da Direcção Regional da Economia de Évora.

Fig. 25 - Escritório da Fábrica Granadeiro, Grândola Arquivo do Sector do Património Cultural da Câmara Municipal de Grândola.

Fig. 26 – Fábrica Granadeiro, Grândola. Chegada da cortiça.1955. Arquivo do Sector do Património Cultural da Câmara Municipal de Grândola.

Fig. 27 – Fábrica Granadeiro em laboração. Grândola, 1955.Arquivo do Sector do Património Cultural da Câmara Municipal de Grândola.

Fig. 28 - Trabalhadores da Fábrica I. Granadeiro - Década de 50 do século XX. Arquivo do Sector do Património Cultural da Câmara Municipal de Grândola.

Fig. 29 - Trabalhadores da Fábrica Socor (Sines). Arquivo Câmara Municipal de Sines.

Fig. 30 – Sociabilidades. Inauguração da sede do Sport Clube Grandolense.Arquivo do Sector do Património Cultural da Câmara Municipal de Grândola.

Fig. 31 – Sociabilidades. Inauguração da estação de caminho-de-ferro de Grândola.Arquivo do Sector do Património Cultural da Câmara Municipal de Grândola.

Fig. 32 – Sociabilidades. Carnaval de 1951. Carro alegórico da fábrica Socor, Sines. Arquivo Câmara Municipal de Sines.

Fig. 33 - Imprensa e luta dos operários corticeiros: “Voz do Corticeiro”, Lisboa, 10 de Junho de 1906.

Fig. 34 - Imprensa e luta dos operários corticeiros: “O Corticeiro”, Lisboa, n.17, 26 de Junho de 1919.

Fig. 35 – Cortiça e cultura material. Cochos. Coleção MAEDS. Foto de Rosa Nunes.

Fig. 36 – Cortiça e cultura material. Tarro de pastor. Coleção MAEDS. Foto de Rosa Nunes.

Figs. 37-42 - Cadeia operatória da extracção da cortiça. 1: Chegada ao montado. 2: Descortiçamento de grandes pranchas do tronco. 3: Descortiçamento dos ramos da copa. 4: Pormenor do acto de separação da cortiça, já cortada, de um dos ramos da copa, com utilização do cabo do machado. 5: Composta a carrada, segue-se o caminho do monte ou da fábrica em carro puxado por “besta singela”. De José Fernandes. Coleção MAEDS. Foto de Rosa Nunes.

Fig. 43 - Forno de carvão tradicional. Foto de Arquivo do Sector do Património Cultural da Câmara Municipal de Grândola.

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